quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trailer Oficial de Amanhecer Parte 2 - Legendado


Bella e Edward lutando com Aro em Amanhecer Parte 2:
Acho que eh apenas a visão da Alice pois no livro não há luta, mas no livro lua nova tambem não tinha luta em Volterra e no filme teve, intão pode ser a luta msm. O jeito é esperar pra ver!
          

Esse é meu cachorro Dólar


sábado, 12 de maio de 2012

Elena Gilbertt Vira vampira no final da 3º temporada:

Descobrimos que quando Elena tinha sido internada por conta daquele sangramento, a doutora Meredith mentiu sobre ser só uma concussão. A garota tava com hemorragia no cérebro e morreria caso a doutora não tivesse dado SANGUE DE VAMPIRO pra ela!!!!!!!!!!!! Tem uma nova vampira em Mystic Falls, e é a Elena!!!!! ahhhhhhhhhhhhhhhh


A Escolha de Elena

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Rose conversa com Jeremy sobre Damon e Elena (Legendado) 




Rose diz a ele o por quê de ela ser Team Delena e é realmente lindo.
Legendado em Português.
The Vampire Diaries Season 3 Episode 19

The Vampire Diaries (SE03E19) 3x19 - Cena do Quarto e Beijo Damon e Elena (Legendado) 





The Vampire Diaries Promo estendida 3x20 - Do Not Go Gentle [Legendado]



Bastidores de Eclipse 



MTV - Stephenie Meyer fala sobre Amanhecer - Parte 2 - Legendado 


Uma fã de Taylor Lautner faz uma tatuagem especial Legendado  



Extras de AMANHECER PARTE 1


Aqui está o Trailer oficial legendado de AMANHECER PARTE 2




Cena de Amanhecer Parte II onde Edward e Bella conversam. Bella, agora vampira e já em sua casa junto a Edward, encara o bilhete de despedida que Alice e Jasper deixaram, encaixando as pistas com o livro O Mercador de Veneza (de Shakespeare).

O bilhete de Alice diz: "Reúna quantas testemunhas puder, antes que a neve toque o chão. É quando eles virão para nós".





quarta-feira, 25 de abril de 2012

Paródia Crepúsculo ( Hillywood Show )

Paródia de Lua Nova ( Hillywood Show )

Paródia de Eclipse ( Hillywood Show )

Paródia de Amanhecer ( Hillywood Show )

A História de Alguns Personagens de Crepúsculo e Diários de Vampiro




Edward nasceu como Edward Anthony Masen, no dia 20 de junho de 1901, sendo filho de Edward Sr. e Elizabeth Masen. Ele e seus pais contraíram a gripe espanhola durante a epidemia que devastava Chicago, Illinois em 1918. Órfão e quase morto pela doença, Edward foi transformado em vampiro por um dos médicos que cuidava dele, Carlisle Cullen, que agiu atendendo ao pedido da mãe de Edward. Daquele dia em diante, Carlisle cuidou de Edward como se fosse seu filho, ensinando-o a seguir uma doutrina moral diferente dos outros vampiros do universo fictício de Meyer. Seu modo de vida é centrado em recusar-se a pensar em humanos como comida e alimentar-se apenas de sangue de animais. Houve um período em que Edward abandonou este estilo de vida, passando a usar sua habilidade de ler mentes para alimentar-se daqueles que considerava merecedores da morte. No entanto, alguns anos depois ele se arrependeu e voltou a viver com Carlisle. Nos livros, Edward e sua família, que inclui Carlisle e Esme, suas figuras paternas, e seus irmãos adotivos Alice, Jasper, Rosalie e Emmett entram em conflitos com outros vampiros, por sua moralidade, ao se recusarem a beber sangue humano. Uma fonte específica de conflito é o relacionamento amoroso de Edward com a humana Isabella Swan, mais conhecida por Bella. Edward sente-se responsável por proteger Bella e, por isso tenta controlar ao máximo a sua vontade de mordê-la.
Poder: Ele lê a mente das pessoas.








Stefan Salvatore é o personagem principal da série The Vampire Diaries, é o rapaz mistério da escola, moreno, de olhos verdes, bonito no sentido clássico do termo, desperta as atenções de todos, mas prefere estar sozinho. Stefan é um vampiro e a companhia dos colegas pode ser um problema. Há quatrocentos anos, jurou nunca tirar uma vida humana e tenta sobreviver à base de sangue animal, embora nem sempre consiga. Stefan veio para Fell Church para fugir ao seu passado e começar de novo. Consigo, arrasta a memória de um amor perdido e seu um irmão Damon Salvatore que o perseguirá para todo o sempre.


 



Isabella Marie Swan nasceu no dia 13 de Setembro de 1987, sendo filha de Renée e Charlie Swan. Ela mora com a mãe até seus dezessete anos em Phoenix, uma cidade ensolarada. Sua relação com seu pai é difícil. Bella cria uma rejeição à Forks muito forte, principalmente pela sua chuva constante. Mas, devido ao casamento de sua mãe com Phill e a sua vontade clara de viajar com o novo marido, Bella decide se mudar para a casa do pai. É a partir dessa mudança que se inicia sua aventura.

Poder: Usará o campo-de-força que ela mesmo cria (quando se torna vampira).








Elena Gilbert é uma jovem interpretada por Nina Dobrev na nova série amaricana, The Vampire Diaries. Na trama, Elena conhece Stefan, um jovem vampiro que resolve tentar viver como humano em uma pequena cidade. O grande problema vivido nesta história por Elena, é que ela está sendo disputada pelo amor dos irmãos Salvatori. Elena perdeu os pais em um trágico assidente de carro, então, mora com o seu irmão e a sua tia. Antes de conhecer Stefan, Elena passa um fase muito complicada de sua vida, pois não consegue esquecer a perda de seus pais. Como ajuda, ela faz um diário, o qual escreve tudo que sente, tudo que vê, suas vontades e o que acontece na sua vida. Ao descobrir que Stefan é vampiro, a garota resolve afastar-se do vampiro.





É um lobisomem da série The Vampire Diaries. Ele hera de seu pai a linhagem de lobisomem, porém para ativar esta linhagem ele teria que beber o sangue de alguém, e conta com a ajuda de um vampiro (Klaus) para isso. Mata sua colega de classe e bebe seu sangue, assim sendo se transformando em Lobisomem. Ele apanha inúmeras vezes de Stefan Salvatore na série de livros.






Antigo amor dos irmãos Salvatore, ela os transformou e foi transformada por Klaus, um dos legítimos, que existia desde antes das pirâmides serem erguidas. Katherine fingi sua morte para que os irmãos façam as pazes já que haviam brigado por seu amor. Desde então vive escondida e quando se revela, se revela como a vilã de toda a história.





Jacob Black é filho de Billy Black, e vive no pequeno vilarejo de La Push, perto de Forks, no Estado de Washington, onde é Quileute e seu pai faz parte da corte Quileute. Jacob tem duas irmãs mais velhas, mas apenas uma delas, Rachel, aparece em Amanhecer - ela vira imprinting de um dos amigos de Jacob, Paul - e são citadas no capítulo 6 (Histórias de Terror) do primeiro livro: Rebecca (que se casou com um surfista samoano e passou a morar no Havaí com o marido) e Rachel (que ganhou uma bolsa de estudos para um colégio interno em Washington). O passatempo preferido de Jacob é montar carros com seus amigos, Quil e Embry, e começa a montar um Volkswagen Rabbit 1986 no primeiro livro, conseguindo finalizá-lo apenas no segundo, pois ganha de seu pai a peça que faltava.

Lua de Mel ( II versão)


[Bella]

     Eu ainda não acreditava que estava fazendo isso! Isso era completamente contra todos os meus princípios. Mas como eu poderia resistir? Por mais que tivesse diversos motivos para não ir em frente com toda essa maluquice, no momento em que olhava para os olhos de Edward perdia todos os meus argumentos. E além do mais, que diferença iria fazer? Eu amava o Edward com todo o meu ser. Tinha a absoluta certeza de que queria ficar com ele por toda a eternidade. O que significava um papel diante de tal sentimento?Eu já estava convencida de que havia escolhido o melhor para mim. Até havia me empolgado com os preparativos, não tanto quanto Alice, lógico! Até me surpreendi com a animação de Rosalie, que já era expert em matéria de casamento. Com o Charlie as coisas ainda continuavam tumultuadas, mas minha mãe me garantiu que ele se conformaria.A cerimônia foi linda, simples, mas de bom gosto. Tudo conforme o figurino, mas isso...

     -Edward, pelo amor de Deus, me põe no chão!

     -Bella, por favor! Qual é o problema? Você sabe que não vou te deixar cair, nunca te deixaria cair.

     -Não é isso! Mas não precisa me levar no colo, isso é tão antiquado!

     -Bella, pode ser antiquado para você, mas só vamos fazer isso uma vez, quero fazer da forma correta.

     Eu torci os lábios, mas não discuti. Eu sabia que não havia como dissuadi-lo da idéia. E de qualquer forma, os meios realmente eram supérfluos diante do fim; do meu fim. Com ele, para sempre. Com um suspiro meio carregado eu desliguei minha mente de quaisquer pensamentos que fossem supérfluos - ou seja, que não envolvessem o Edward.Ele tinha um sorriso no rosto. O sorriso mais lindo que eu já havia visto no rosto dele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que acalentava o meu peito. Eu não podia não sorrir quando o via tão feliz assim. E eu tive a certeza de que havia feito a escolha certa. Como eu poderia sobreviver sem ele? Sem esse rosto, esse olhar, esse sorriso.A dor desse pensamento chegava a ser física. Ele abriu a porta com facilidade, sem me balançar um centímetro que fosse.O quarto era tão ele que eu não pude deixar de ficar encantada. As paredes eram de um papel de parede branco, com leves relevos vitorianos. Havia uma cama king-size com um acolchoado dourado - como seus olhos. Ele me pôs na cama encantando, e beijou os meus lábios com um amor que inundava o aposento.

     -Minha Bella - ele sussurrou com sua voz de veludo. - Minha. Minha. - ele repetia, pontuando as pausas com beijos na minha mandíbula e na minha clavícula.

     Eu vi nesse instante a minha chance. E conhecendo o meu marido como eu conhecia, eu sabia que devia insistir no que eu queria enquanto havia chance dele ceder. Eu estava deitada, apoiada pelos cotovelos com o tronco meio erguido, enquanto ele estava com suas mãos uma de cada lado do meu corpo, evitando que eu sentisse o seu peso. Quando ele subiu com a boca para a minha mandíbula novamente, eu abaixei o rosto, fazendo nossos lábios se encontrarem. Ele não pareceu perceber as minhas intenções, e correspondeu ao meu beijo. Logo, minha boca se tornou mais urgente e eu traçava os seus lábios com a minha língua. Ele se tornou levemente mais rígido e eu soube que ele entendeu o que eu queria. Mas, para a minha surpresa ele não interrompeu o contato. Ele estava mantendo a promessa dele. Como ele falou que iria. Como ele sempre fez.Eu ergui um dos meus braços e eu teria caído de costas no colchão se ele não fosse tão rápido ao me amparar. Logo suas mãos frias e suaves estavam nas minhas costas, e ele desceu seu corpo rente ao meu, até eu estar completamente deitada. Minhas mãos estavam impacientes no seu cabelo e as dele começavam a delinear as laterais do meu tronco. Eu deslizei minhas mãos pelos seus ombros até encontrar a gravata dele.Com dedos frágeis eu lutei por alguns segundos - a mais que o necessário - para libertá-lo da peça de seda. Eu senti sua boca se torcendo em um sorriso. Eu corei. Seus olhos se tornaram mais escuros.O desejo dele agora não havia como ser negado. Eu lutava contra os botões absurdamente pequenos da sua camisa, ficando desconcertada ao ver que estava perdendo a batalha. Ele riu baixinho e se levantou. Eu protestei com um muxoxo. Ele riu novamente e abriu os botões da camisa ele mesmo.Edward me jogou na cama, desabotoando a camisa e se jogando sobre mim. Não havia mais receio em seus olhos, ele não tinha mais medo de me quebrar. Agora, havia outra coisa naqueles olhos de topázio. Eu podia ver o desejo também queimando em seus olhos. Eu apenas consigo imaginar o quanto eu estava dizendo com os meus. Ainda mais para ele, que conseguia me ler tão bem.Sua boca encontrou a minha clavícula e fez um rastro de fogo até o meu pescoço. Ele subiu até encontrar a minha boca e mexeu seus lábios contra os meus. Pude ouvi-lo sussurrar um... “Eu te amo” e eu estremeci embaixo dele.

     Senti seus lábios tremerem em um sorriso e eu procurei seu pescoço com a minha boca.Sua pele, antes tão gélida, agora era macia e quente aos meus sentidos. Meus dentes deram pequenas mordidinhas em seu pescoço. Ouvi suas risadinhas abafadas, provavelmente achando tudo aquilo muito irônico.Eu em contrapartida não estava achando graça. Eu estava inebriada demais com o seu cheiro, seu toque, sua presença pra sentir qualquer outra coisa que não fosse ele. Edward, Edward, Edward. Sua boca traçava o meu rosto e suas mãos delineavam meu corpo. Eu estava tendo dúvidas sobre a história dele nunca ter feito isso antes. Se bem que ele era bom em tudo. Perfeito demais. E meu. Só meu. Meu peito se aqueceu com o meu pensamento e minhas mãos se tornaram mais urgentes.Apesar de urgentes, minhas mãos tremiam. Não sabia por onde começar... A confusão era tanta que simplesmente me deixei guiar por suas mãos, por sua boca, sentindo a sua respiração, meus pêlos se eriçando ao mínimo toque. Era eletrizante. Nunca imaginei que só a expectativa pudesse fazer isso. E estava me matando.Ele parecia ter lido minha mente.Me puxou pela cintura para ficarmos cara a cara. Me deu aquele seu sorriso torto e virou na cama king size me deixando por cima. O quê ele queria que eu fizesse?Minha respiração estava entrecortada. A dele permanecia estável, embora mais agitada que o normal. Suas mãos agora procuravam o zíper do meu vestido e em questão de segundos eu já podia sentir sua mão no meu colo. Um arrepio que não tinha absolutamente nada a ver com frio passou pelo meu corpo.Suas mãos em meu colo não eram apressadas. Percorriam cada centímetro de minha pele, como se a memorizando. Deslizou a mão pelas minhas costas, terminando de zipar meu vestido. Sua mão deslizava pelas minhas costas e a antecipação perpassava pelo meu rosto. Edward percebeu, parou suas mãos. Saiu de debaixo de mim, me colocando deitada na cama e começou a beijar o caminho que, antes, sua mão havia feito pelas minhas costas.Eu suspirava ao seu toque e eu podia sentir que ele estava perdendo um pouco do cuidado. Suas mãos se tornaram mais urgentes no meu vestido. Sua boca estava em todo o lugar e eu tinha que constantemente lembrar de respirar. Morrer agora seria uma péssima idéia.A boca dele subiu pela minha barriga e sua língua traçou o meu colo com carinho. Não pude evitar um suspiro mais alto. Ele deu uma risadinha e me olhou com aqueles olhos profundos. Ele não precisava dizer nada. Estava estampado ali, tão claro quanto à epifania que eu tive dois anos atrás. Ele me amava. Tanto quanto eu o amava. Esse pensamento fez com que eu me sentisse mais segura. Eu o puxei para junto de mim e escorregava meus dedos pelo seu abdômem perfeito encontrando o meu primeiro desafio.     

     O seu cinto.Um péssimo obstáculo para uma pessoa que arfava e mal conseguia enxergar nada devido ao desejo. Mas me empenhei na tarefa mesmo assim. Meus dedos trêmulos percorriam a fivela e tentavam, com a maior força que tinham, forçar a correia a atravessar a fivela para poder me ver livre desse empecilho. Edward só olhava para mim com um num misto de diversão e impaciência.Seus olhos estavam se transformando em ônix, e isso me dizia tudo. Ele queria se livrar daquilo tanto quanto eu.Com um ímpeto de controle das minhas funções motoras eu consegui desabotoar a fivela e puxar o cinto. Edward apressou minhas mãos e jogou o cinto para longe, que caiu com um estalido surdo no chão. Sua boca encontrou a minha e eu nunca senti ele tão urgente ou tão perto que nem agora. Ele falou em mais de uma ocasião que tinha perfeito controle dessa parte do seu ser, e eu nem ousava duvidar. E nem tinha como, quando eu olhava para os seus olhos cor de ônix.Ele mordeu o meu lóbulo enquanto eu lutava com o botão da sua calça social. Mais facilmente do que eu podia esperar, o botão cedeu e eu senti a respiração do Edward ficando mais tensa. Eu nem sentia o ar nos meus pulmões. Tudo que eu sentia - e queria sentir - estava sobre mim, beijando meu lóbulo e arrancando um suspiro da minha boca.

     -Tem certeza disso? - Edward num lampejo de autocontrole sussurrou para mim, prendendo minhas mãos no cós de suas calças. - Você sabe que isso é perigoso. Não quero te machucar.

     -Edward, você prometeu! - Que horrível momento para analisar as coisas.  -Nunca tive tanta certeza em minha vida. Nós estamos aqui, juntos. Acho que eu mereço uma lua-de-mel à forma antiga!

     Edward acenou com a cabeça, mal tendo controle dos próprios movimentos. Ele soltou minha mão e eu escorreguei a mão pelo seu zíper. Meu coração rompia no meu peito parecendo se chocar contra as costelas. Ele se levantou e deixou as calças escorregarem pelas suas pernas. Longas pernas alvas e musculosas. Era a primeira vez que as via, Forks não era exatamente a cidade que favorecia o uso de shorts.Porém, olhando Edward da minha posição na cama, sabia que chegava o momento. Só estava de lingerie e Edward de boxes. Ficamos nos olhando por algum tempo, parecia que tinha demorado séculos. Estávamos nos apreciando, vendo cada detalhe do corpo um do outro.Ele se inclinou sobre mim, de alguma forma selvagem, ainda que controlasse o seu peso e seus impulsos mais urgentes. Ele beijou meus lábios novamente por um breve momento, logo descendo eles pelo meu pescoço, traçando um caminho que eu sabia ficaria marcado na minha memória por toda a Eternidade. Eternidade. Eu sorri com o som dessa palavra na minha cabeça. Edward pareceu sentir a mudança no meu humor e apressou seus dedos ágeis no fecho do meu sutiã. Sua respiração ficou suspensa no ar por alguns breves segundos antes dele começar a beijar o meu colo. Estava ficando praticamente impossível não suspirar alto. Minhas mãos passavam pelas suas costas de maneira feroz, e tenho certeza de que se ele não fosse tão perfeitamente feito de mármore, ficaria com a marca das minhas unhas.Rapidamente ele estava sentado, com as costas apoiadas contra a cabeceira da cama. Com suas mãos fortes e macias ele me puxou contra ele. Movimentando seus lábios contra os meus, de uma maneira tão sem cuidado quanto à minha, enquanto ele deslizava o resto da minha lingerie pelas minhas pernas. Segurando-me contra o seu corpo e sem quebrar o beijo, ele me pôs deitada. Eu pude notar a grande luta interna que ele estava travando. De um lado o desejo de me ter mais inteiramente do que ele jamais teve - fisicamente falando. E do outro o desejo de me manter viva - mesmo que por alguns dias a mais - de impedir que eu me machucasse.Essa luta interna transpareceu em seus olhos que brilhavam com uma negritude que jamais tinha visto antes. Eu mergulhei naquela negritude no momento em que seus olhos fitaram os meus. Senti-me zonza, parecia que estava levitando, o mundo parecia não mais importar. Só fazia cair na imensidão daqueles olhos... foi aí que me dei conta que estava prendendo a respiração.Às vezes esqueço que o Edward tem esse efeito sobre mim. Pelo menos, com o meu transe, eu não tinha me sentido envergonhada pelo fato do Edward estar me encarando, me observando nua em pêlo em cima da cama.Ele estendeu a mão e acariciou meu rosto com as costas da mão como sempre faz. Aquele toque era reconfortante, no entanto havia algo de diferente dessa vez. Seus dedos traçaram a linha dos meus lábios e desceram pelo meu pescoço. Pude notar que estavam tremendo, não podia distinguir se era ele ou eu. Deslizaram pelo meu ombro, escorregando pelas costelas, contornando o umbigo.Tudo muito calmo e devagar, mas, pela primeira vez na noite, seus dedos gélidos me deram um frio na espinha. Sua mão subiu pela minha barriga... Pela primeira vez na minha vida alguém me vira assim, me tocava assim.Edward acariciou delicadamente os meus seios, como se quisesse apreciar sua textura.     

     Como ele conseguia ficar tão calmo assim? Preferiria ele enlouquecido, pelo menos não me daria tempo para pensar. Sua boca encostou no meu pescoço e começou a brincar com a língua em minha clavícula. Enrijeci. Comecei a ficar zonza de novo, mas dessa vez eu estava respirando, na verdade estava arfando.Uma mistura de pânico, desejo, necessidade e timidez tomaram conta de mim quando ele tomou meu seio em sua boca e deu leves sucções em meu mamilo. Eu não tinha mais nenhum controle do meu corpo. Meu coração martelava querendo sair pela boca, calafrios subiam e desciam a minha espinha.Enquanto isso, Edward fazia uma dança com a mão que ia do meu quadril até o joelho, fazendo o seu caminho pela minha perna, ora deslizando pelo lado externo da minha coxa, ora deslizando pelo lado interno. Não tinha mais noção de nada, pelo que sei essa dança pode ter levado dias, só o que me prendia a atenção era sua mão gelada no meu corpo em brasa. Comecei a sentir tremores por todo o corpo, agarrei os seus cabelos com força, mas, não me agüentando, soltei um gemido. Era um som estranho para mim, havia medo, excitação e súplica contidos nele.Edward parou tudo o que estava fazendo e olhou para mim com aquele sorriso torto. Ele estava satisfeito consigo mesmo. Ele pousou a mão no meu umbigo e olhou novamente para mim.Então, sua mão deslizou para o meu baixo ventre.Eu segurei minha respiração. O toque gelado dele contra a parte interna da minha coxa fez com que eu expelisse todo o ar dos meus pulmões. Eu pude notar - entre meus lapsos de lucidez - que ele estava se redescobrindo como humano - como homem. Ele deslizou os seus dedos gélidos, contornando o meu sexo e eu não pude pensar em nada. Foi como um aneurisma cerebral. Eu me desliguei de tudo a não ser dele e do toque dele. Eu acho que ele ficou um pouco preocupado com alguma possível parada cardíaca da minha parte - já que meu coração parecia explodir, tão alto e forte que batia - e ele parou com a carícia e subiu com a mão e a boca trilhando caminhos no meu torso.

     -Eu juro... Eu não vou te machucar - ele sussurrou com urgência e convicção.

     -Oh, Deus. Eu sei Edward - eu falei tentando controlar a minha respiração para que as palavras saíssem - Você seria incapaz de fazer isso. - eu sorri com o canto dos lábios, e eu podia sentir que minhas bochechas estavam coradas.

     Eu acho que ouvi ele sussurrar um “amor”, mas não posso dizer com certeza, porque o que veio depois arrebatou todos os meus sentidos. Eu podia morrer naquele instante e eu não me arrependeria nem um centésimo. A boca dele encontrou o meu seio novamente, enquanto sua mão desceu novamente para o meu sexo.Eu gemi entre suspiros. Uma energia que eu nunca senti antes percorreu todo o meu corpo. Desde a ponta do meu pé até a minha cabeça. Eu estremeci. Minha respiração nunca foi tão pesada quanto agora. Edward sustentava um sorriso perfeito no seu rosto e ele encontrou a sua testa com a minha.

     -Eu não vou te machucar - ele repetiu, a certeza brilhando nos seus olhos escuros de desejo.Eu pude sentir uma leve pressão no meu sexo e uma leve dor aguda me fez contrair os ombros. Ele parou.

     -Eu não sei se... - ele começou.

     -Não - eu meneei a cabeça. - É assim. Eu acho. Quer dizer, eu não sei. Mas já me falaram e... - eu fiquei quieta.

     -Ok...- ele respirou fundoEle empurrou o seu corpo contra o meu novamente e eu fiquei rígida novamente. Eu senti a boca dele na minha e após alguns segundos eu relaxei.O seu cheiro doce inebriava meus sentidos e eu senti ele empurrar o seu corpo contra o meu mais um pouco. Dessa vez não houve dor. Ele permaneceu imóvel por um tempo. Apenas beijando os meus lábios com carinho e seus dedos percorrendo os fios do meu cabelo.Seus carinhos eram tão lentos quanto suas investidas para dentro de mim. Havia algo de tenso nele, seus desejos lutando com a sua cautela. Era um novo mundo para ele também e perceber isso me fez relaxar mais ainda, me fez amá-lo mais ainda.

     -Não tenha medo. – murmurei quase sem voz.– Nós pertencemos um ao outro.

     Edward olhou profundamente em meus olhos, toda a preocupação que transparecia em seu rosto desapareceu. Seu rosto se abriu num sorriso largo, caloroso.

     -Para sempre.

     Num movimento rápido e delicado Edward estava totalmente dentro de mim.Soltei um gemido de surpresa e dor, mas assim que seus lábios tocaram os meus, toda a dor desapareceu.E ficamos assim, colados um no outro. Movimentando-nos em um só ritmo.Nossas respirações entrecortadas. Nossos olhos fixos um no outro. Uma dança de corpos, de sensações, de desejos se complementando um no outro.Sentia explosões por todo o corpo, a sensação de seu membro em mim era desconcertante. Me preenchia, me embebedava de prazer, não há palavras nesse mundo para descrever o que eu sentia.De repente as sensações mudaram, tornaram-se crescente. Olhei para Edward e seus olhos estavam cerrados. Estava novamente lutando consigo mesmo. Seus movimentos  tornaram-se mais rápidos. Mas mesmo assim não sentia dor. Só sentia um calor emanando da ponta dos pés até a o fio dos meus cabelos. Cada movimento irradiava correntes elétricas por lugares que nem sabia existir.Parecia que me aproximava de um precipício, a adrenalina corria a mil, as mãos de Edward me agarraram com força, uma força que ele nunca havia usado antes.Mas não me importava, aquilo era grande demais, sentia vontade de gritar para aliviar toda aquela força que rompia dentro de mim.De repente, todo aquele estupor pareceu explodir. Um som gutural escapou da garganta de Edward, seus olhos irradiavam puro ouro, seu corpo enrijecido em cima do meu.Meus olhos enuviaram e me sentia atordoada por todas aquelas sensações estarem, aos poucos, abandonando meu corpo. Mas eu me sentia feliz, despreocupada e muito apaixonada. O Edward cumprira sua palavra, pude sentir que ele não se reprimiu, que confiou no nosso amor. Um sorriso estampou meu rosto.Edward sorriu de volta.Ele relaxou e caiu ao meu lado. Olhando-me com ternura, ele tirou alguns fios de cabelos suados do meu resto. Minha respiração lutava para encontrar a normalidade. Eu olhei para rosto dele. Eu estava errada. Eu achava que não podia amar ele mais do que eu amava, e eu descobri que podia. Exponencialmente mais. Os olhos dele encontraram os meus e ele torceu a boca.

     -O que? - eu arfei, puxando os meus joelhos para o meu peito.

     -Eu tenho uma impressão que não foi tão bom pra você quanto foi excepcional para mim - ele retorquiu, olhos ambivalentes.

     -Oh - eu revirei os olhos - Edward, você realmente vai me fazer falar sobre o quão surreal isso foi pra mim? - Ele revirou os olhos de volta para mim e beijou a ponta do meu nariz.

     -Eu te machuquei? - ele perguntou com a tez enrugada.

     -De forma alguma. Eu estava certa. Como sempre - eu falei com um sorriso.Ele riu baixinho e me puxou para junto dele.

     -Eu sinto muito, eu estou me redescobrindo, você sabe. Eu vou fazer melhor para você. - ele murmurou na minha orelha, fazendo novos arrepios percorrerem o meu corpo exaurido.Eu bufei.

     -Edward pare com isso. Isso foi... surreal em muitos sentidos. Eu nunca... sensações que eu nunca tinha tido...

     Eu estava tendo problemas em formar frases sem corar absurdamente.Ele riu no meu ouvido.

     -Eu te amo. Minha Bella. Minha esposa. - ele entrelaçou seus dedos com os meus e eu admirei o anel dourado repleto de diamantes.

     -Eu te amo também - eu murmurei descansando minha cabeça no seu ombro.E deixei meu corpo relaxar enquanto eu sincronizava as batidas do meu coração com a respiração dele.Ele começou a cantar a minha cantiga de ninar, e eu resmunguei.

     -Você está cansada - ele atestou.

     -Aproveite enquanto pode - eu falei baixinho, mas eu sei que ele ouviu porque ele ficou rígido.

     -Agora Bella, realmente...

     -Nem vem Edward - eu interrompi. - Eu casei com você. Eu dei um "encerramento" e um álibi bom o suficiente para Charlie e para Reneé. Você realmente não vai me convencer a adiar mais.Ele suspirou.

     -Nós discutimos isso amanhã. Nós temos uma vida toda para discutir isso. - ele acrescentou com um sorriso torto.

     -Em breve vamos ter a eternidade - eu lembrei a ele, que soltou um muxoxo. - Sério, às vezes parece que te desagrada a possibilidade de passar a eternidade comigo.

     -Oh Bella! - ele falou - Você está sendo absurda de novo. Eu só, realmente, não concordo com a parte na qual a sua vida tem que acabar para podermos ficar juntos para sempre.

     -Ela não está acabando Edward. Ela está só começando. E eu mal posso esperar para começar a vivê-la.

     Eu disse com um sorriso e com um tom de quem encerra a discussão.Ele não me retorquiu. Só suspirou baixinho e recomeçou a cantar. Eu me aproximei mais dele e ele beijou minha cabeça.Não demorou muito para que eu caísse em um sono repleto de sonhos. De Edward, de mim, e da eternidade.

Lua de Mel ( I versão)


[Edward]


      Isabella Swan. O nome dela rodava em minha mente, inúmeras vezes, como se um bando de mariposas se chocasse contra uma luz invisível. Por fora eu estava calmo, mas por dentro os pensamentos se agitavam. Ela era minha esposa. Se entregara a mim de uma forma que pertencia somente a ela; integralmente, apesar de tudo que nos separava. E agora estava disposta, mais do que isso, ansiosa para entregar a única coisa que eu relutava ainda em lhe tirar. Era tão difícil resistir. Eu queria me deixar levar pelo desejo, abraçá-la, tocá-la, afundar meu corpo no dela; sentir o calor que emanava dela, fazê-la sentir o prazer que ela queria sentir, que eu queria sentir, e muitas vezes essa necessidade apagava todas as outras coisas. Mas era nesse momento de abandono que a sede por seu sangue voltava tão forte quanto nas primeiras vezes. Aquilo me enchia de medo. E se eu não conseguisse me controlar? Ela era tão frágil. E tão teimosa. Não podia esperar. E eu não podia lhe negar nada. Não depois de tudo que ela sofrera por mim. Assim, tomei todas as providências que podia. Estava alimentado. A ilha nos daria a privacidade necessária e a beleza que ela merecia para emoldurar aquele momento. Queria que tudo fosse perfeito, inesquecível, mas ainda tinha medo. E sabia que ela poderia ficar magoada facilmente caso se sentisse rejeitada. Bella... Ainda não entendera que para mim não existia perfeição além dela.



     Tudo isso se passava em minha mente enquanto a esperava, dentro do mar. A temperatura era agradável, quente. Estava consciente de tudo: do mar prateado pelo luar; do calor do ar úmido; dos ruídos da noite, dos grilos e insetos tropicais, os pequenos animais que evitavam aquela região da praia, percebendo a presença do predador. Porque Bella não conseguia perceber isso da mesma forma? Ainda me perguntava isso todos os dias, admirado com sua coragem, encantado com sua força e ousadia. Ao longe ouvia os sons que ela fazia na casa. Ouvi quando se arrumou, os golpes lentos e rítmicos da escova em seus cabelos, o barulho da água na torneira, depois o chuveiro ligado. Ouvi seus passos quando se aproximou de mim, trazendo o cheiro marcante, doce e vivo que eu tanto amava, quando entrou na água e se aproximou devagar. Podia sentir a água formando pequenas ondas com a movimentação do seu corpo. Podia ouvir sua respiração se acelerar um pouco, como sempre se acelerava nos momentos de desejo e tensão. Senti vontade de sorrir, mas estava muito tenso com o que estava preste a acontecer. Continuei de costas para ela, as mãos flutuando na linha da água, esperando que ela tomasse o primeiro passo. Que nos levaria para o desconhecido. E eu tinha certeza que ela não hesitaria. Logo ela ficou imóvel, muito próxima. Eu estava olhando para o céu estrelado, tentando me concentrar. Podia sentir o calor emanando dela também em ondas. Eu sempre ficava muito consciente de sua presença, fosse pelo calor, fosse pelo cheiro intenso. Mesmo assim, quando ela colocou sua mão quente sobre a minha, fria, o mundo se transferiu para aquele ponto onde nossos corpos se tocavam. Se era assim o simples toque de sua mão, diante de tanta expectativa, o que não seria o resto? Será que enfim poderia conhecer o êxtase do qual tantas vezes ouvira ao longo dos anos? Medo e desejo se misturaram, deixando minha garganta seca.

     -Linda-, ela disse, ao perceber que eu olhava para a lua, com sua voz grave e um pouco rouca, mas também era como cristal, com um mínimo toque de ansiedade. Ela também estava com medo. E também não sabia o que esperar. Isso não facilitava as coisas. 

     -É bonito-, respondi, tranqüilamente, escondendo a tensão, fingindo uma indiferença que eu não sentia. Era o melhor que poderia fazer no momento. Me virei para olhá-la e vi, com uma certa surpresa, que estava nua, os braços cruzados defensivamente sobre os seios, a postura tímida. O luar deixava sua pele pálida e iridescente, causando um contraste indescritível com os cabelos castanhos. Os fios caiam em mechas pelos dois lados do pescoço, emoldurando o rosto. Os olhos estavam expressivos, e vi o brilho nas profundezas escuras que eu tanto amava: amor, desejo, medo, hesitação, expectativa. Como eu poderia corresponder a tantas coisas? Mas ela me olhava em adoração. Eu não tinha como resistir àquele olhar.

     -Mas eu não usaria a palavra linda, não com você aqui para comparar.- Era verdade. Sempre foi. Ela ergueu a mão, ainda um pouco timidamente e a levou até meu peito, enquanto sorria. O toque de seus dedos, de sua palma, queimava minha pele, causando uma explosão de calor. Correntes elétricas se espalhavam pelos meus braços até a ponta dos dedos. Seu toque sempre me desconcertava, me levava a um estado de tensão e bem-estar incomparáveis. Ela era fogo para mim. A vida que eu não tinha mais. Senti minha respiração se alterar contra minha vontade, meu corpo estremecer lentamente. Seu cheiro tinha se tornado mais intenso, mais delicado, mais saboroso. Ela ainda era um mistério para mim. Tantas sensações aumentaram minha prontidão, meu corpo se enrijeceu minimamente. Ela pareceu notar. Aproveitei o momento para tentar mais uma vez prepará-la – e a mim mesmo – para todas as possibilidades. A voz não era mais do que um sussurro.

     -Eu prometi que iríamos tentar... Se eu fizer alguma coisa errada, se eu machucar você, você deve me dizer imediatamente.- Era uma ordem, não uma pergunta. Eu tinha que deixar isso bem claro, porque ela simplesmente não conseguia se conter.Esse papel sempre era meu. Ela assentiu, parecendo me levar com seriedade. Deu um passo à frente, e encostou a cabeça no meu peito. Pude sentir sua respiração quente contra minha pele, rápida, profunda. Eu não queria magoá-la, não queria perturbar aquele momento que já era tão complexo. Busquei algo para dizer que pudesse tranqüilizá-la. Mas ela foi mais rápida do que minha mente.

     -Não se preocupe,- sua voz era um murmúrio.

     -Nós pertencemos um ao outro.- Aquelas palavras me emocionaram de uma forma indescritível, e removeram uma parte do meu medo de forma mais eficiente do que todas as minhas racionalizações. Suspirei profundamente, inalando o cheiro suave que vinha dos seus cabelos, misturado com o cheiro intenso dela toda. Puxei seu corpo para mais perto de mim, pousando minhas mãos em suas costas, colando minha pele contra a dela com cuidado, me deliciando com o calor que irradiava dela e do ambiente. Era a primeira vez que eu a tocava daquela forma tão completa, e sorri levemente ao pensar que era apenas o começo.

     -Para sempre-, foi tudo em que consegui pensar, antes de puxá-la mais para o fundo da

água. Naquele momento eu era apenas e somente uma parte dela.





[Bella]



     Nada do que eu tinha imaginado em tantas noites insones poderia ter me preparado para esse momento. Apesar de evitar pensar sobre isso, meu próprio corpo rebelde tinha decidido ir até o fim o mais rápido possível. Eu não gostava de pensar, me deixava embaraçada, mas o desejo que eu sentia por Edward se tornava cada dia mais latejante, mais impossível de ignorar. As noites insones se tornavam mais freqüentes, particularmente quando as coisas entre nós ficavam mais intensas, e ele inevitavelmente parava, e se afastava. Nessas horas meu corpo reclamava, pulsando, doendo, ardendo por uma satisfação que me era desconhecida, sobre a qual eu só lera em livros de biologia e romances. Mas aquela necessidade era real. E tão intensa, que, se Edward pudesse ler meus pensamentos – e felizmente ele não conseguia – talvez então ele conseguisse entender minha pressa, minha angústia.

     E mesmo essa ansiedade, expectativa, necessidade... Nada disso tinha me preparado para a fome que se apossou de mim no momento em que nossos corpos se tocaram, livres das roupas pela primeira vez, no calor da água morna. Todas as células do meu corpo estavam intensamente conscientes da presença dele, do seu cheiro inebriante, da beleza perfeita e infinita do corpo molhado e iluminado pelo luar. Tudo nele me atraía, para cada vez mais perto, como se meu corpo quisesse se fundir ao dele, atingindo assim sua própria perfeição. Eu só podia existir sendo parte dele. Eu pertencia a ele. E eu tinha fome. Tinha pressa. Mas ele não. Nesses momentos a pressa não existia para Edward Cullen. O tempo parecia se estender, se alongar. Nunca imaginei que em um segundo cabiam tantas coisas, tanta realidade, tanto dele. Em câmera lenta, Edward me levou junto a ele até um ponto mais profundo da praia, e meu coração disparou enlouquecido. Ele não iria desistir, como eu temia. Senti um pouco de culpa, a culpa familiar, sabendo que ele só estava fazendo isso porque eu insistira tanto, sabendo que ele tinha medo das conseqüências, muito mais do que eu, porque ele se responsabilizaria por qualquer coisa que acontecesse. Mas esses pensamentos desapareceram assim que ele me estabilizou em pé na areia, colou novamente seu corpo ao meu e buscou meu pescoço com os lábios frios.

     -Devagar agora, Bella,- eu ouvi sua voz rouca e entrecortada. -Eu quero ver, conhecer você. Sonhei muitas vezes com isso.- As palavras foram acompanhadas pelo deslizar de suas mãos pelas minhas costas enquanto os lábios se colavam aos meus novamente. Fogo e gelo se mesclavam em mim; era impossível não perceber como sua pele, lábios e língua eram frios ao toque. A sensação de que eles queimavam sobre mim era de um prazer inigualável, porém o rastro que deixavam ao mudar de lugar não era de frio ou de dor, e sim de um calor impossível. Arrepios surgiam nos pontos em que ele me tocava, e se alastravam pelo meu corpo, me causando arrepios e tremores. Enquanto me beijava lentamente, saboreando cada toque, com paciência, as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até a curva dos quadris. A língua percorria meus lábios sem pressa, entreabrindo-os e tocando minha própria língua, fazendo movimentos de reconhecimento, de invasão, o que espalhou um calor já familiar no centro de meu corpo, no estômago, e entre as pernas. Ele arriscou uma leve mordida em minha língua. Me senti desfalecer por alguns segundos, respirei mais profundamente, buscando o ar que me faltava. Ele pareceu perceber, e parou por um momento, pousando as palmas da mão em meus quadris, possessivamente. Ouvi sua risada rouca e baixa quando gemi involuntariamente ao sentir

que ele parava.

     -Não se preocupe, amor,- ele disse, buscando meus olhos, o meio-sorriso torto que eu amava tanto brincando em seus lábios. -Nós temos a noite toda.- E dizendo isso, deslizou uma mão pela lateral do meu quadril até a minha perna, novamente usando apenas a ponta do dedo. Fiquei novamente ofegante. Não sabia se conseguiria agüentar tanta tensão, com certeza teria um ataque cardíaco. Não sabia se conseguiria resistir a tanto prazer.

     Dessa vez eu que me afastei um pouco, me descolando dele. Precisava de ar. O meio- sorriso continuava em seu rosto perfeito. Resolvi me vingar da lenta tortura, e um sorriso malicioso surgiu em meus lábios.

     -Edward,- minha voz saiu entrecortada, me fazendo corar. -Pode se virar um pouco, por favor?

     Ele ergueu uma sobrancelha com expressão curiosa, mas não questionou. Virou-se lentamente de costas para mim, deixando à mostra o dorso perfeito, forte, esculpido em mármore. O mar escuro brilhava ao redor dele, que se parecia ainda mais com um deus. Água escorria do cabelo e da pele molhada criando riscos prateados na pele perfeita. Minha respiração aos poucos foi voltando ao normal, e eu me aproximei dele com uma calma que não sentia, e me encostei contra ele, colando meu peito em suas costas. O choque do frio de sua pele contra a minha, fervente, me fez estremecer violentamente, e o coração voltar a disparar. Já estava começando a lamentar aquele movimento quando percebi que ele também estava reagindo com certa violência, a respiração acelerada, pequenos tremores na pele, como calafrios. Senti meus mamilos se enrijecerem contra a pele fria, e formigarem, ansiando pelo toque de suas mãos. Mais uma vez agradeci por ele não ser capaz de ler minha mente, e encostei meus lábios em seu pescoço, enquanto percorria seu peito com minhas mãos espalmadas, de cima a baixo, me aproximando do ventre liso, fazendo o inverso do que ele fizera comigo. A pele estava salgada, úmida, e fui explorando a nuca com a língua, fazendo traços em direção à orelha, e senti o corpo dele se enrijecer sob minhas mãos, enquanto eu passeava com elas explorando cada pedaço pelo qual elas ansiavam. Percorri a parte interna do braço, os ombros perfeitos, depois voltei até a ponta dos dedos, que se entrelaçaram aos meus enquanto eu continuava o caminho com os lábios. Decidi ousar um pouco, mordendo a ponta da orelha com cuidado, apesar de saber que aquilo jamais o machucaria. O efeito, no entanto, foi inesperado. Ele apertou minhas mãos com força, me fazendo gemer assustada em protesto. Ele imediatamente me soltou e ficou estático, parado. Senti a tensão mudar em seu corpo, para algo diferente.

     -Desculpe, Bella. Machuquei você?- Ele tentou se virar e me encarar, mas eu o segurei no lugar, e continuei com os lábios em sua orelha.

     -Não, Edward. Só me assustei, não imaginei que você fosse reagir assim.- Fiquei feliz por ele não conseguir ver meu rosto, intensamente ruborizado. Ele pareceu relaxar, então.                                                              

     -Você não tem idéia dos efeitos que está me causando, amor. Talvez mais tarde eu possa tentar lhe mostrar.- Apesar de não ver seu rosto eu podia sentir o meio-sorriso em sua voz. O sorriso que eu tanto amava.

     -Na verdade não vai ser tão tarde assim. Em breve será minha vez.

[Edward]



     Ela realmente estava me surpreendendo. Claro que eu conseguia imaginar a extensão do desejo que a consumia. Eu via isso em seus olhos, nos lábios entreabertos, na respiração e nos gemidos, e tudo aquilo me levava à beira da insanidade, como se sua paixão alimentasse a minha. Quando beijei seu pescoço pela primeira vez naquela noite, tive que refrear a vontade súbita de mordê-la, de beber sua vida até o final, de saciar aquela sede que muitas vezes ainda surgia, apesar do controle que consegui desenvolver, de provar novamente aquele gosto infinitamente delicioso que era o do seu sangue. Ela podia ter esquecido que eu já a provara antes, quando fora mordida por James e o veneno dele corria em suas veias, matando- a lentamente. Por isso podia lidar tão calmamente com minha presença a seu lado, daquela forma tão íntima. Mas eu não esquecera. As muitas fomes que eu sentia dela - de sua presença, de seu corpo, de sua mente, de seu sangue, de seu prazer – se mesclavam e me deixavam tonto, beirando a falta de controle. Aquela noite me dava prazer e me feria, mas cada vez menos eu conseguia pensar em parar. Eu só conseguia pensar em continuar. Décadas de auto-controle iam se desfazendo sob suas mãos quentes, seu calor, seu cheiro, sua insensatez. Ela era minha mulher, era minha. Porque não tomá-la, se era esse o seu, o meu desejo? Eu conseguiria parar se a machucasse. Mas ela conseguiria?

     Percebi que machucara um pouco suas mãos, eu era tão mais forte. Ela esconderia, claro. Precisava de forças para conseguir reagir ao menor sinal de dor, mas onde eu conseguiria essa força? Era hora de assumir o controle de novo. As mãos de fogo passeando por meu peito, chegando ao meu centro estavam me enlouquecendo, seus lábios em minha orelha impediam meus pensamentos coerentes. A vontade de prolongar tudo lutava contra a vontade de chegar ao final de tudo, e nós precisávamos de mais tempo. Era muito risco a se correr por alguns segundos de satisfação. E ela merecia mais do que isso. Eu também.

     Tudo isso eu pensava enquanto ela retomava o passeio das mãos por meu corpo, incluindo agora as costas; ela se afastara um pouco após minha reação, para testar meu ânimo. Bella temia muito que eu parasse, e uma parte cada vez menor de mim, é verdade, ainda não queria estar ali, gritava que era perigoso demais, que nunca fora tentado antes, que eu não tinha experiência e controle suficientes. Ao mesmo tempo meu corpo já sentia a ausência do seu calor em minhas costas, da pressão dos seios delicados contra minha pele. Eu sempre queria mais dela.

     Assim, segurei suas mãos enquanto desciam pela parte interna das minhas coxas, e as trouxe até meu peito novamente.

     -Seu tempo acabou, Isabella Cullen. Minha vez.- Não consegui evitar o sorriso ao ouvir o nome. Virei para ela e olhei profundamente em seus olhos. Ela sorria levemente, o olhar novamente tímido.

     -Feche os olhos,- ordenei. Ela obedeceu rapidamente, mordendo os lábios devagar. Apoiei uma mão em suas costas – ela ofegou, surpresa, e com a outra apoiei a parte de trás de suas pernas, e a fiz flutuar. A água nos deixava leves, e em pouco tempo ela estava boiando na linha da água, e eu pude ter enfim uma visão completa de seu corpo. Bella não tinha uma beleza clássica, ou gritante. Mas as linhas e curvas eram suaves e proporcionais, e tinham uma graça particular, apesar dos gestos impensados, impulsivos e desajeitados. Tudo isso a tornava ainda mais linda. O rosto era particularmente atraente, nobre. As pernas eram bem- feitas, alongadas, e o quadril sinuoso. O cabelo tinha um tom de seda marrom envelhecida, um mogno perfeito, e os olhos castanhos assumiam um tom âmbar na luz. Ela seria estonteante se um dia se tornasse uma de nós. O que estava acontecendo comigo? Ela já estava me fazendo considerar a idéia com mais facilidade? Percebi que ela corava sob o meu olhar, e agi antes de lhe causar desconforto. Mantendo seu corpo flutuando, me abaixei um pouco e me aproximei do ventre liso. Ela quase caiu das minhas mãos quando meus lábios alcançaram a pele suave perto do umbigo, se debatendo um pouco, enquanto tentava se lembrar de como respirar, e nisso ela era tão Bella! O sorriso em meus lábios se ampliou, a tensão deixando um pouco meus músculos.

     -Oh, Edward,- ela gemeu quando eu a segurei no lugar e comecei a subir com a boca em direção aos seios. Pequenos espamos a sacudiram enquanto minha boca procurava, alcançava e provocava os pontos mais sensíveis. Ao mesmo tempo em que meus lábios subiam novamente para o pescoço, mergulhei seu corpo novamente na água quente, para evitar que sentisse frio. Quando ela ficou em pé novamente na água me encostei todo nela, e desci as mãos novamente para suas coxas, entreabrindo-as. Ela ofegou em meu ouvido, e eu encontrei novamente seus lábios em um beijo intenso, devorador, enquanto minhas mãos a tocavam cada vez mais fundo, encontrando calor, umidade e aceitação. Ela separou as pernas por reflexo, e eu a explorei longamente, aprendendo todos os pontos sensíveis, observando suas reações, seus suspiros, os arpejos da respiração descoordenada, dando tempo para que ela se acostumasse com a intimidade, e ao mesmo tempo devorando sua boca com a minha, invadindo-a duplamente. Em um determinado momento ela explodiu em tremores, e sua respiração cessou por alguns instantes. Um sorriso iluminou meu rosto enquanto eu a apertava contra mim, ouvindo os gemidos baixos e suaves que eram como música enquanto ela repetia meu nome. Quando ela parou de estremecer eu ergui seu rosto com as duas mãos, e a olhei mais uma vez. Eu nunca cansava de olhar para ela. Suas pupilas estavam dilatadas, a boca entreaberta respirando rapidamente, o corpo se recuperando aos poucos do êxtase. O rosto estava corado, e naquele momento a sede por ela ficou insuportável. Eu me afastei um pouco, enquanto travava todos os músculos do corpo. Ela me olhou confusa por uns segundos, e pareceu compreender. Ficou em silêncio, me observando, enquanto eu recuperava o controle aos poucos.

     -Eu te amo, Edward,- ouvi a voz rouca e macia.

     -Não tenha medo, você não vai me machucar.- Ah, como eu queria ter essa confiança! Até agora estava tudo indo bem, mas o teste final ainda estava longe, e por duas vezes eu tive que parar. O que fazer se não conseguisse mais?

     Mas então ela se colou a mim novamente, a boca devorando meus lábios, suas mãos por todo o meu corpo, como se a pequena experiência de instantes atrás tivesse apenas despertado ainda mais a fome intensa que ela sentia, e todos os pensamentos fugiram de minha mente mais uma vez. Só o que havia era o calor daquela mulher. O calor que aumentava a cada segundo, me carregando para longe de tudo.



[Bella]



     Quando ele segurou meu rosto com as palmas das mãos frias e olhou para mim, o mundo voltou a girar. Antes tudo estava parado: o mundo, minha mente, meu corpo, meus nervos, meu coração. Tudo estava envolto em uma névoa de lassidão, parecia ter deixado de existir, e voltava ao foco lentamente. Meu corpo havia se preparado para aquilo antes, e se frustrado inúmeras vezes, quando ele interrompia as noites em que estávamos juntos nos momentos mais intensos. A ausência de frustração, a necessidade preenchida, o calor que ele me fizera sentir, apesar do frio de suas mãos... Naquele momento eu deixei o planeta, e fui parar em algum outro lugar onde não existia mais nada a não ser Edward. Como se isso fosse possível. Alguns dos romances descreviam o clímax como “a pequena morte”, principalmente os franceses. Acho que agora eu entendia o porquê; era mesmo uma experiência de quase morte, da qual eu voltei com relutância, com medo de que alguma coisa pudesse dar errado fora daquele ninho de sensações extasiantes.

     Mas era ele quem me trazia de volta, com seu toque gélido, seus olhos cheios de paixão. Era ele quem me fazia esquecer a súbita timidez que vinha da minha falta de roupas. Que fez com que eu me sentisse uma pessoa completa. Olhei para ele e senti que meu coração poderia explodir com tantos sentimentos, eu não sabia na verdade como eu ainda conseguia viver ao lado dele. Era de se esperar que eu já tivesse morrido ou algo assim. Morrido de amor. Seria poético e adequado.

     E então suas feições – sempre perfeitas, eternizadas naquele rosto adolescente dos meus sonhos – suas feições se modificaram. Eu vi seus lábios se entreabrirem como se ele estivesse com sede; os dentes afiados visíveis ao luar. Os olhos se nublaram por uns instantes e ele não estava exatamente ali; aquilo me assustou, pois eu nunca o vira antes daquela forma. Naquele momento ele era exatamente o predador perigoso contra o qual ele sempre me alertava, que sempre o preocupava. E então ele voltou, e se afastou de mim. Me senti solitária. Soltei o suspiro que estava prendendo, e o observei procurando alguma reação, alguma pista de como ele estava se sentindo. Ficou imóvel como uma estátua, olhando para o horizonte. Depois olhou para mim com uma expressão vaga e distante.

     Eu precisava dizer algo, e foi o que meu coração sentia como verdade absoluta.

     -Eu te amo, Edward.- Era verdade absoluta.

     -Não tenha medo, você não vai me machucar.- Para mim aquilo também era verdade. Eu apenas não podia acreditar que ele pudesse me ferir. E caso acontecesse... Descobri naquele momento que estava disposta a morrer se fosse por suas mãos, seus dentes, sua boca. Então eu seria completamente dele. Sei que isso era errado, insano, mas quantas coisas não haviam sido desde que nossa história começara...? Seria apenas o desfecho perfeito para o estranho amor entre um vampiro e uma humana.

     Ele me olhou novamente, e só nós dois existíamos no mundo. Ele me olhou como se estivesse me descobrindo pela primeira vez; eu sentia como se fosse. Reconheci também em seu olhar aquele sentimento que eu temia ver desde o início: medo de me perder, dúvida. Ele estava hesitando.



     -Bella, o que houve?- De repente ele estava ao meu lado, guardando certa distância.     

     -Fale comigo. Não está arrependida, está?- Os olhos agora transbordavam algo que beirava o pânico, e eu não pude mais pensar, ou me conter. Estendi as mãos para ele, que entrelaçou os dedos nos meus, me devorando com os olhos, tentando alcançar meus pensamentos, mas impotente.

     De repente tudo que eu estava pensando veio à tona, não consegui mais segurar as palavras. Disse tudo que pensara nos últimos instantes. Sobre a preocupação constante. Sobre eu ser algo único na vida dele. Sobre o amor ser na verdade um campo de batalha. Ele ouviu tudo em silêncio, com um ar solene. E por fim, disse a ele que não queria nada que ele não quisesse inteiramente. Que se ele ainda tivesse alguma dúvida, qualquer uma, eu não o forçaria mais a continuar, independente de qualquer acordo prévio, porque eu sabia que ele estava passando por sofrimento demais para me dar aquele momento. E que eu não me importava em morrer em seus braços; o que me importava era saber o que quão horrível ele se sentiria se algo me acontecesse.

     Quando terminei, houve um período de silêncio. Dei tempo a ele, que ficou imóvel, pensativo, enquanto eu me apercebia novamente da beleza do ambiente ao redor. Apesar da água morna, uma brisa fresca começou a soprar do norte, e o ar fresco contra minha pele molhada me causava arrepios. O cheiro da brisa era salgado, me lembrava um pouco a brisa da praia em La Push. Outra vez agradeci mentalmente por ter um cérebro torto e inacessível a Edward. La Push sempre me lembrava Jacob, e aquele momento era bem inconveniente. Mas a lembrança desta vez não trazia nada além de um pouco de paz, como ecos de uma onda distante que nos embala sem causar grandes distorções na superfície.

     Senti a mão de Edward em meus cabelos molhados, afastando-os do meu rosto. Senti a ponta dos dedos frios traçarem as linhas do meu queixo, virando meu rosto para olhar para ele.Sua expressão estava serena. Mais do que isso, seus olhos brilhavam com o reflexo do luar, e eu pude ler neles a extensão do seu amor. Só aquilo já me encheu de alegria. Ele poderia até desistir. Eu não me importaria mais. Só o que me importava era estar com ele. “Bella”. Eu amava o jeito com que ele sussurrava meu nome. Ele encostou a testa na minha, e ambos ficamos de olhos fechados, mãos entrelaçadas.

     -Você tem idéia de como representa tudo na minha vida desde que entrou nela?

     -Bem, tenho certeza de que ela ficou um pouco mais movimentada,- eu respondi, tentando brincar.

     -E você tem idéia de que eu quero que esta noite aconteça tanto quanto você? Ou até mais? O quanto eu quero que você seja completa, inteiramente minha?- Bem, isso eu não tinha certeza. Fiquei em silêncio. Ele prosseguiu.

     -Acho que agora consigo entender você melhor. Entender porque isso é tão importante para você. Que não é só capricho ou inconseqüência. Porque – ele me interrompeu antes que eu pudesse responder – isso é perigoso, Bella. Eu preciso que você saiba disso, de toda a extensão do perigo que você está correndo. Você sabe disso, não sabe?

     Me lembrei do olhar vago dele, os dentes brilhando ao luar. Estremeci. Acenei com a

cabeça, a boca subitamente seca.

     -Então você entende os riscos envolvidos. E mesmo assim pretende ir até o fim?

     Acenei novamente. Edward conseguia ser formal mesmo nessas horas, os dois sem roupas, sentados no mar, em uma praia deserta de uma ilha tropical.

     Ele suspirou. Mas depois sorriu, o meu sorriso torto; discreto, mas estava lá.

     -Então acho que temos que tomar um banho, Sra. Cullen, e fazer isso direito. Temos uma cama nos esperando. Eu tenho quase certeza de que amanhã eu vou me arrepender, mas vou esquecer as preocupações por uma noite. É tudo que eu garanto no momento.

     Foi minha vez de sorrir, um sorriso iluminado.

     -Tenho certeza que vai ser suficiente.- Ele então me tomou novamente nos braços e me carregou para dentro da casa, enquanto eu tremia de frio, amor e expectativa.



[Edward]



Parte I



     Era incrível como Bella sempre me surpreendia. Além de não ter a menor certeza da importância que tinha em minha vida, conseguia fazer com que o amor que eu sentia por ela aumentasse cada vez mais, com gestos simples, com palavras inesperadas. Sempre que eu achava impossível que meu coração comportasse mais coisas, ela aparecia com alguma surpresa que me pegava desprevenido.

     Foi assim naquele momento em que ela confessou o que estava pensando de forma tão pouco calculada, embora ela sempre fosse mesmo muito transparente. Eu estava me preparando para algo diferente, por causa da reação inesperada que ela tivera durante o beijo, e ela terminou por me dar a opção que eu sempre quis que ela me desse: a de não passar pelo tormento de estar com ela e terminar por feri-la no processo.

     Não foi uma decisão fácil de tomar. Ter algo muito precioso nas mãos e decidir correr o risco de perdê-lo, podendo aguardar um pouco para poder desfrutar dele de forma mais segura, mais completa... Que tolo faria isso a não ser alguém muito apaixonado... como eu? Mas agora que ela verbalizara seus pensamentos, as coisas se tornavam mais claras, e justificavam melhor o risco. Ela era humana. Queria essa experiência. Queria me dar essa experiência. Que eu tivesse como retirar dela tudo o que podia me dar, antes de mudar para sempre.

     Aos poucos o pânico foi se dissolvendo da minha mente, e a vontade que sentia por ela aumentou, apagando o resto das minhas dúvidas temporariamente. Aquilo aumentou também minha confiança no meu controle. Talvez se eu me entregasse ao que sentia ao invés de lutar contra; se conseguisse canalizar a força de meu desejo ao invés de combatê- la...

     E assim, ao invés de desistir, de confessar que não confiava mais no meu autocontrole, eu a trouxe para a casa em meus braços, tentando não segurá-la muito perto para que nãosentisse frio. Enquanto carregava seu corpo leve, continuava a devorá-la com os olhos. A espera havia demorado muito, e agora eu me permitiria desfrutar do que nos fora negado por tantos meses. Intimidade absoluta.

     Levei-a direto para o banheiro, mantendo as luzes apagadas. Eu não precisava de luzes, enxergava muito bem no escuro. Deixei-a em pé em frente ao chuveiro e sorri, mesmo sem saber se ela conseguia ver. Abri uma das torneiras e deixei a água quente, o máximo que poderia estar sem que ela se queimasse, e beijei sua testa de leve.

     -Bella, amor. Se esquente um pouco, eu já volto. Você deve estar gelada a essa altura.

     -Um pouco,- ela concordou, enquanto deslizava com cuidado para dentro do chuveiro.     

     Senti que ela relaxava ao contato da água quente, e lutei contra a vontade de me juntar a ela naquele mesmo momento. Tinha ainda algumas coisas a preparar.



Parte II



     Voltei ao banheiro poucos minutos depois. Ela estava encostada na parede, que era de granito, deixando a água quente escorrer pelas suas costas. Parecia bem, grande parte da tensão dissolvida pelo calor e pressão da água, que era bem forte. O ambiente se enchera de vapor, criando uma névoa densa, e ali o cheiro dela ficava um pouco mais leve, quando misturado a tanta água no ar.

     -Você tem alguma idéia de como é irresistível?- Eu perguntei, enquanto entrava no chuveiro, e me colocava entre ela e o jato de água, esquentando também meu corpo. Ela se virou, e ergueu a cabeça ao olhar para mim. Busquei seus lábios com os meus com gentileza, testando seu humor. Era sempre imprevisível para mim. Ela me beijou de volta devagar, tocando meus lábios com a ponta da língua, fazendo caminhos, sem pressa. Eu amava essa nova faceta dela, que estava sendo despertada aos poucos, essa confiança, essa falta de timidez. Ela estava deixando a adolescência cada vez mais rápido. E nunca me pareceu mesmo uma adolescente; Bella sempre fora mais madura do que as outras garotas de sua idade. Isso compensava o excesso de timidez e insegurança que eram típicos dela. Eu amava sua seriedade, seu senso de responsabilidade, de conseqüência, a forma como se preocupava com sua família e com o bem-estar de todos, principalmente comigo, que tanto a fizera sofrer. Amava até mesmo seu silêncio, quando estávamos na escola, enquanto todos riam, brincavam e faziam barulho. Aquilo a aproximava de mim.

     Aproveitei que o beijo a estava deixando sem ar e parei um pouco. Olhei em volta; o lugar onde ficava o chuveiro era enorme, as paredes eram todas de granito claro, ao lado tinha um pequeno jardim de inverno com folhagens e um banco de pedra. Levei o que trouxera na mão até lá, puxando-a pela cintura, sem desligar o chuveiro, o vapor funcionava como uma sauna, esquentando o ambiente. Senti um cheiro leve de suor, que vinha dela e melhorava ainda mais seu perfume, deixando-a ainda mais viva, mais saborosa. Sentei no banco de pedra e coloquei uma toalha que molhara com água quente em meu colo, para diminuir o choque de temperatura. Fiz com que ela se sentasse sobre minhas pernas de costas para mim. Afastei os cabelos molhados, empurrando-os para a frente, deixando a visão plena de suas costas nuas. Comecei a deslizar as mãos pelas costas molhadas, sentindo os músculos se contraindo a cada toque. Eu queria que ela relaxasse, mas estava surtindo o efeito contrário.

     Me inclinei para a frente, até que estivesse perto de sua orelha.

     -Bella,- sussurrei, -relaxe, não vamos ter pressa.

     -Não quero relaxar,- ela resmungou, com um toque de diversão em sua voz.

     -Na verdade meu corpo é quem não quer, eu não consigo evitar.- Agora eu ouvi o sorriso em sua voz, junto ao suspiro lento. Era melhor assim. A tempestade de suas emoções aparentemente estava se dissolvendo.

     -Vamos resolver isso. Parece que Alice tinha algumas sugestões a nos dar, encontrei algumas delas espalhadas pela casa.

     -Ah, não!- ela respondeu, um pouco constrangida.

     -Aqui também?

     -Como assim também?- Provoquei. Imaginei que minha irmã teria reservado algumas surpresas para o guarda-roupa de Bella, mas não quis tocar no assunto, pois sabia o quanto aquilo a deixava envergonhada. “Hum. Nada, você sabe como é a Alice. Sempre dando muitas sugestões.

     -Concordo. Mas devo admitir que gostei delas, dessa vez. Quase tanto quanto gostei do seu vestido de noiva.

     -Ah.- Ela não conseguiu encontrar mais nada para dizer. Devia estar terrivelmente vermelha. Confesso que para mim também era estranho estar com ela daquela forma, mas estava encantado com as descobertas. Tantos anos ouvindo comentários e piadas internas de Jasper e Emmet; finalmente eu podia entender algumas coisas por mim mesmo, sem precisar ficar sondando os pensamentos alheios, ou recebendo informações da vida íntima deles mesmo quando eu não queria.

     E também... Era a primeira vez que eu amava tanto alguém assim. Queria que tudo fosse perfeito. E como ela nunca tinha feito isso com ninguém antes... Eu sabia o quão desconfortável poderia ser para ela se eu não tomasse cuidado.

     -Sim.- Ela respondeu, um pouco desconfiada.

     -Então quero que você relaxe. Eu quero conhecer seu corpo. Se - se você me prometer que não vai se descontrolar. Promete?

     -Aham.- Senti que o corpo dela estava tenso de novo, em antecipação. Dei uma risada rouca. De repente fiquei novamente muito consciente do corpo dela junto ao meu, sentada em meu colo... Seria muito fácil apenas afastar a toalha, me mover para junto dela, dentro dela. Mas não queria que fosse assim. Afastei os pensamentos em outra direção, e passei de novo as mãos pelas costas nuas, só que agora para espalhar um líquido que Alice deixara em um frasco no armário do banheiro. A substância era oleosa, com um perfume bastante agradável, e segundo a nota que ela deixara vinha de plantas e flores que cresciam na ilha. Ela deixou escapar um gemido.

     -Não sabia que você também entendia dessas coisas,- ela comentou, com a voz baixa e entrecortada. -Com você eu sempre tento ser muito humano, você sabe. Além disso, Carlisle é médico, ele me ensinou algumas coisas. E assisto filmes de vez em quando.

     -Que tipo de filmes você anda assistindo, hein?- ela perguntou, enquanto meus dedos iam encontrando pontos de tensão nos músculos e desfazendo devagar, com cuidado. Qualquer força a mais que eu usasse poderia machucá-la. Ela não sabia que isso também era um exercício para que eu soubesse até onde poderia ir.

     -Você se surpreenderia,- respondi, provocando.



     -Edward! Você não andou assistindo...- Ela não conseguiu terminar a frase, e não consegui conter as risadas. Depois que terminei de explorar suas costas, passei para os braços, me demorando na parte interna, onde a pele era mais sensível. Senti que a respiração dela e o coração iam se acelerando. Quando isso acontecia, eu parava. Ela se manteve o quanto pôde dentro da promessa de relaxar, mas eu sabia que estava ficado cada vez mais difícil. Eu ia saboreando suas reações, encantado; o óleo e o vapor camuflavam seu cheiro, tornando fácil a parte de me controlar; fiz uma nota mental para agradecer a Alice depois. Quando terminei com os braços desci para as pernas, ela permanecia sentada em meu colo, então mudei de posição e a coloquei deitada de costas no banco, sobre a toalha, e me ajoelhei ao lado dela enquanto deslizava as mãos pelas pernas de cima a baixo até os pés, memorizando cada detalhe, cada imperfeição, cada dedo, a textura da pele, a firmeza dos músculos, as curvas, a delicadeza, a fragilidade dela sob minhas mãos. Percebi que algumas vezes a toquei com muita força, ela não reclamava, mas eu percebia; aos poucos fui aprendendo o que tinha que fazer, a pressão que podia usar, a forma que ela mais apreciava. O Leão e o cordeiro. Mas dessa vez era o próprio cordeiro quem se sacrificava. Se bem que, eu tinha que admitir, ela estava gostando bastante. Não parecia um grande sacrifício... Por enquanto.

     Evitei outras áreas propositadamente, antes que o controle nos fugisse. A noite ainda era uma criança, e aparentemente a satisfação que ela alcançara enquanto estávamos na praia havia diminuído um pouco sua urgência. Quando me dei por satisfeito, ergui-a novamente, e a levei até o chuveiro, para que retirasse o excesso do óleo. Ao ver a expressão de prazer em seu rosto não consegui me conter, colei meu corpo no seu, sentindo a pele dela deslizar contra a minha, e a beijei até ficarmos ambos sem fôlego nenhum, enquanto as mãos delas deslizavam por mim já com certa desinibição; sem fôlego era modo de dizer, já que eu não respirava, mas meu peito queimava, e a boca ardia de desejo, seca. Quando falei, as palavras saíram com dificuldade, entrecortadas.

     -Bella... Assim... Nós vamos... Acabar pulando as etapas.

     -Etapas?- Foi só o que ela conseguiu balbuciar, enquanto colocava a mão no peito, como se estivesse sem ar depois de correr por muitos metros.

     -Você vai gostar. Vai ficar quietinha? 

     -Ei! Eu não fiz nada dessa vez! Você me agarrou!- Ela protestou, e estava certa. Eu é que havia me adiantado.

     -É´ verdade. Vamos, então?- Envolvi Bella com a toalha úmida, retirando o excesso de água da pele e dos cabelos, e a carreguei mais uma vez, até o quarto. Em meus pensamentos, torcia para que tudo desse certo até o final.



[Bella]



     Bem, eu podia estar em silêncio, como sempre, sem palavras como sempre, mas isso não significava que eu não estava com a mente em um turbilhão de palavras, sentimentos e sensações como nunca antes em minha vida. E era sempre ele quem causava isso, Edward, o meu deus particular, perfeito, o vampiro perigoso e apaixonado dos meus sonhos. Estar vivendo aquilo com o qual eu tanto ansiei era indescritível. E quando eu achava que não podia ficar melhor, ficava. E ele ainda dizia que tinha outras coisas guardadas... Se eu não enlouquecesse completamente naquela noite, isso nunca mais aconteceria. De certa forma as dúvidas e inseguranças tinham ficado para trás; naquele momento só nós dois existíamos. Eu, deitada ali, com as mãos firmes e geladas dele escorregando pelo meu corpo todo, me esforçando como nunca para cumprir a promessa de relaxar, entre os arrepios, calafrios e espasmos que me ameaçavam cada vez que ele chegava perto de algum ponto mais sensível, e que em determinado momento parecia ser meu corpo todo. Às vezes minha mente perdia a concentração e eu achava que iria pular em cima dele a qualquer instante, esquecer todo o resto e consumar aquilo que meu corpo pedia, implorava. A espera, a antecipação, a expectativa, tudo se condensava em uma dor física que atingia meus pontos mais vitais. Mas eu me controlei e forcei a mente a se acalmar, e o corpo foi realmente relaxando sob o toque dos dedos frios, sob o reconhecimento gentil dele de como era meu corpo. Aproveitei o momento de calma para realmente olhar para ele pela primeira vez em sua plenitude, ajoelhado ao meu lado.

     Apesar da falta de luz, um pouco do luar se infiltrava por janelas de vidro estrategicamente colocadas em vários lugares da casa, e eu podia ter uma visão do corpo perfeito, dos músculos bem desenhados e rijos, sem uma cicatriz, sem uma imperfeição. O rosto mostrava a concentração dele em meu próprio corpo, e pela primeira vez não me envergonhei. Eu pertencia a ele. Era natural que ele estivesse curioso... Mais até do que eu. Quando ele retirou a pulseira do meu braço eu me perguntei o que ele pretendia dizer com aquele gesto, mas a curiosidade foi suplantada por uma certeza; não importava nada do que eu havia sentido por Jacob no passado; naquele momento eu era completamente dele, e nada mais poderia me afastar do agora e de toda a sua imensidão. Eu sempre pertenci a Edward Cullen, e pertenceria para sempre. Aquela noite era apenas uma confirmação disso.

     Quando ele me carregou para o quarto, pediu que fechasse os olhos; obedeci. Senti, ao chegar, que o quarto tinha um pouco de claridade, ele devia ter ligado alguma luz. Edward me sentou delicadamente na cama, e eu senti o calor que emanava do ambiente, como se um aquecedor estivesse ligado... A falta do corpo frio dele, quando ele se afastou, foi sentida imediatamente; uma linha fina de suor se formou em minha testa. Ouvi um som discreto de vidro e líquido, e em poucos segundos ele se sentou ao meu lado, encostando o corpo no meu, aliviando o calor.

     -Pode abrir os olhos,- ele disse. Quando eu abri, fiquei sem palavras. O quarto brilhava com uma infinidade de velas acesas dentro de candelabros de vidro, e o calor que emanava das pequenas chamas impedia que eu sentisse tanto frio ao lado dele. Ele tinha deixado uma garrafa de champanhe na mesa de cabeceira ao lado dele, e duas taças cintilavam à luz das velas, já cheias pela metade. Ele sorria.

     -Acho que não aproveitamos muito bem nosso brinde de casamento, Sra. Cullen. Que tal repetir?- Ele me estendeu uma das taças, e segurou a outra. Seus olhos estavam solenes e brincalhões ao mesmo tempo; como eu amava aquilo! Malicioso, também. Percebi que seus olhos percorriam meu corpo em relances.

     -Acho que seria apropriado,- eu respondi, corando. Ele inclinou o corpo na minha direção, trazendo a taça perto da minha.

     -E ao que você deseja brindar, Bella?- Pensei um pouco, enquanto me deliciava com o hálito doce que emanava dele, melhor do que qualquer champanhe.

     -Ao que seria mais óbvio?-, perguntei. Minha voz estava rouca, e eu senti sede.

     -A nós, eternamente.- Ele respondeu como se tivesse lido meus pensamentos. Corei mais violentamente ao ouvir aquelas palavras finalmente ditas e se transformando em realidade...

     Nossas taças se tocaram em um movimento rápido, e eu, como sempre, desastrada, fiz metade do líquido de minha taça se derramar sobre mim. Fiz menção de me secar com um dos lençóis da cama, mas Edward me impediu.

     -Espere. Você sabe que eu não aprecio muito o gosto das bebidas mesmo... O mais divertido não é o que estou bebendo no momento, mas como- , e deu um sorriso absolutamente diabólico, antes de se inclinar sobre mim para provar com a língua as gotas que escorriam por meu corpo. Tive que me segurar para não pular mil vezes com o toque frio deslizando por mim; sentia o rosto pegando fogo. Quando ele terminou, eu estava com a respiração totalmente instável, e com certeza estava tendo uma arritmia, porque eu sentia que às vezes meu coração esquecia de bater. Ele me manteve o tempo todo sentada, com as pernas entreabertas, para que pudesse ter acesso a todos os lugares por onde o champanhe escorrera. Não sei como não desmaiei. Talvez tenha desmaiado sem perceber. Ele se sentou novamente, sorrindo.

     -Delicioso. O melhor brinde que eu já fiz. Você tem que tomar o seu-, e então ele encheu minha taça novamente até a borda, e me entregou. -Beba tudo. Quero ver o que acontece.

     -Como assim?- Perguntei desconfiada. Ele apenas riu, um riso quente. Fiquei quieta esperando uma resposta.

     -Álcool é um inibidor químico. Só que a primeira coisa que ele inibe no organismo humano são os inibidores naturais, que reprimem vocês. Por isso vocês ficam relaxados e desinibidos quando bebem. Acho que vai ser bom, afinal eu quero você completamente desinibida. Já que vamos aproveitar...- E dizendo isso, ele piscou um olho, o rosto transbordando sugestões.

     -Ei, eu não costumo beber, você sabe! Posso passar mal...- Tentei escapar da experiência, mas minha própria voz não tinha muita convicção. Eu estava começando a achar a idéia atraente, apesar de pensar que gostaria de passar pela experiência o mais sóbria possível...

     -Eu cuido de você. Vá, seja uma boa menina. Tome tudo-, e novamente me estendeu a taça. Dessa vez encarei o desafio, e bebi tudo de uma só vez. O calor do álcool explodiu em minha garganta, me levando às lágrimas e me fazendo tossir. Que romântico. Onde eu estava com a cabeça? Nunca bebera assim na minha vida, exceto um ou dois goles em alguma comemoração. Ele sorriu e encheu a taça de água. Me entregou. Bebi rapidamente, por causa da sede. Depois ele encheu novamente com mais champanhe. Inspirou profundamente, sentindo o aroma da bebida.

     -É bom-, ele disse. -Mas nem se compara com você. E é melhor quando está derramado na sua pele. Aí fica quase perfeito.

     -Quase? Me perguntei em que poderia melhorar.

     -É, quase. Só é perfeito quando não tem nada em cima de você para atrapalhar. Mas aí é mais difícil eu me segurar...- ele disse em tom casual, como se as conseqüências de ele não se segurar não fossem nada demais. Era intrigante e ao mesmo tempo um pouco assustador conviver com aquele lado despreocupado de Edward. Afinal, ele era o predador.

     Ele me entregou a taça e eu bebi novamente fazendo uma careta. O gosto era amargo e desconhecido, mas começou a me causar um bem-estar no estômago, e bebi com mais calma e mais devagar dessa vez. Ele me fez beber mais uma taça cheia, sempre alternando com água.

     -Para que tanta água?- Perguntei, curiosa.

     -Para não desidratar. É por isso que vocês passam mal quando bebem.

     -Ah.- Parecia fazer sentido, e eu estava mesmo com sede. Aos poucos senti a cabeça leve, e um calor com formigamentos se estendendo sobre minha pele. Senti o quarto rodar um pouco, e vontade de rir. Ele me olhava atentamente o tempo todo, sem perder um segundo, às vezes sorria.

     -Edward Cullen, você não precisa disso para me seduzir,- eu protestei, rindo um pouco. A bebida tinha subido bem rápido em meu corpo inexperiente.

     -Eu sei. Mas acho que vai ser interessante-, e dizendo isso ele me deitou de costas na cama, me ajeitando sobre os travesseiros. Depois se deitou ao meu lado, e me puxou de encontro ao corpo dele, se colando a mim, a cada curva. Ficamos os dois com os corpos entrelaçados, deitados de lado. Minha respiração falhou, e eu puxei o ar com força. Ele passeou uma das mãos com preguiça pelas minhas costas.

     -Nervosa?- Ele perguntou, impassível.

     -Um pouco,- admiti.

     -Não fique. Somos feitos um para o outro.- E então ele começou a me beijar, e meu corpo pegou fogo ainda mais rapidamente. O álcool fazia efeito, e as sensações que ele me causava se intensificavam. Percebi que deixava minha timidez de lado, e explorei o corpo que tanto me encantava já com alguma familiaridade, tocando todas as partes dele, traçando as linhas com a ponta dos dedos, como ele fazia, chegando perto das partes mais escondidas, partes que antes eu morria só de pensar em tocar. Ele também gemia baixo em algumas passagens, e em uma ou duas vezes disse meu nome com a voz rouca, quase inaudível, não mais do que um sussurro. Em poucos minutos, estávamos os dois ofegando.

     Quebrei o beijo que ele me dava para buscar ar. Ele se apoiou em um dos braços e ficou me observando, enquanto os dedos passeavam por minha barriga.

     -Você fica linda assim, sabia? Me pergunto se consegue ficar mais linda do que isso... Mas pretendo descobrir.

     -Ah é? Como?- Perguntei, antes que pudesse compreender o que estava por trás das palavras dele.

     -Observando seus olhos e seu rosto quando eu estiver dentro de você,- ele respondeu, tranqüilo, como se estivesse me dando bom dia.

     Engoli em seco. Observei como meu peito subia e descia com a respiração acelerada, meu pulso parecia um tambor. Sentia a testa suada apesar do corpo frio dele, que já não me incomodava. Eu estava com medo do desconhecido, mas meu corpo inteiro pulsava pedindo por aquilo. Ele me tocava como se tocasse um piano, extraindo de mim uma melodia, um ritmo. Fiquei me perguntando como seria quando estivesse se movendo dentro de mim. De repente não quis mais esperar. Eu queria saber.

     -Acho que está na hora de descobrir, então. Ou você quer esperar mais um pouco?- Eu perguntei, temerosa da resposta.

     -Não, acho que eu não quero mais esperar.- E dizendo isso, ele se ergueu sobre mim e se deitou sobre meu corpo num movimento perfeito, com cuidado, para que eu me acostumasse com o frio do corpo dele sobre minha pele quente. Ele me abraçou e enterrou o rosto em meu pescoço, em meus cabelos, dando pequenas mordidas que me faziam pular de encontro ao corpo dele buscando, implorando. Eu mal sabia que aquilo era apenas o começo.



[Edward]



     Eu só estava calmo por fora. Precisava que ela estivesse calma e tranquila, porque eu não estava. Havíamos chegado a um ponto meio que sem volta, não havia mais muito a fazer, talvez pudesse esperar mais um pouco, prepará-la melhor, mas eu não acreditava nisso, eu via em seus olhos que ela queria aquilo tanto quanto eu, mais, até. Tudo estava indo bem, bem demais, mas o esforço maior viria agora. Deitei-me sobre ela, para sentir seu corpo todo colado no meu, e a abracei. Mergulhei o rosto em seu pescoço, em seu cabelo, e senti a fome familiar chegando novamente, subindo por minha garganta. Ao invés de parar, dei pequenas mordidas em seu pescoço, como se estivesse me preparando para mordê-la, e ela praticamente saiu de si com aquilo. Acalmei os pensamentos. Tinha que estar preparado para o pior, se eu a mordesse de verdade teria que tentar novamente tirar o veneno de seu organismo, ou prepará-la para a transformação. Tudo estava mais ou menos ajustado para qualquer possibilidade. Mas ao invés de aumentar minha fome, as mordidas, que não chegavam sequer a arranhar sua pele, a acalmaram. Seria o instinto do caçador sendo aplacado? De repente resolvi fazer um último teste, uma iluminação me atingiu. Vinda do medo, talvez. Ou talvez fosse apenas mais curiosidade, mais vontade de tê-la completamente. Ela estava suada, corada, um tormento por toda a parte.

     -Calma, amor.

E colei os lábios em seu pescoço, inspirando profundamente, sentido a pulsação do sangue em suas artérias, me inebriando com seu cheiro doce, tentador, provando o suor da pele, que lembrava de uma maneira milhares de vezes mais fraca o gosto de seu sangue.

     Me deixei levar pela experiência sensorial. Senti mais uma vez a boca cheia de veneno, estava pronto para devorá-la, para bebê-la até o fim, mas a vontade não era mais tão incontrolável como antes. Era como se não fosse a primeira vez, e sim uma redescoberta de algo que ficara muito tempo longe de mim.

     Ouvi um suspiro abafado no momento em que todo o seu corpo se contraiu, e depois relaxou. O cheiro dela se tornou ainda mais intenso, beijei-a para fugir da onda doce e fulminante que me alcançou. Me apoiei um pouco nos braços para observá-la com curiosidade, e por um momento fiquei feliz por ela ter insistido tanto em ter essa experiência antes da transformação. Ela estava me dando um presente único, de sentir o corpo dela tão vivo, em uma experiência tão unicamente humana. Fiquei feliz também em ter aceitado. Amanhã, caso algo desse errado, eu poderia voltar a sentir culpa, responsabilidade, irritação comigo mesmo por ser tão inconseqüente, mas naquele momento tudo que existia era o calor que emanava dela, o cheiro intenso, a fome sob controle, e o prazer que dávamos um ao outro.

     Deitei-me ao seu lado, enquanto a observava, atento. Os olhos fechados, a respiração entrecortada, o suor formando minúsculas gotas em sua testa, ela estava a cada segundo ainda mais fascinante. A resistência que eu já tinha contra transformá-la em uma de nós aumentou. Tanta coisa seria perdida! Ela não tinha consciência da própria perfeição.

     -Bella?- Arrisquei chamá-la depois de um tempo; um sussurro. Queria ver seus olhos. Ela virou o rosto para mim e os abriu. Geralmente de um marrom suave, seus olhos estavam escuros e fluidos, como ônix líquido; quase não consegui distinguir as pupilas novamente dilatadas das íris escuras. Seu olhar transbordava de amor, satisfação, surpresa e um pouco de timidez, tudo misturado numa composição única. Sorri imensamente, devolvendo todos os sentimentos que ela deixava transparecer... Segurei sua mão.

     -Está viva ainda?- Perguntei brincando. Ela espreguiçou os braços como se fosse uma gata.

     -Parece que você decidiu me deixar viver mais alguns instantes.-Seus lábios formaram um sorriso satisfeito.

     -Ainda quer que eu continue?- Provoquei, chegando próximo a ela e mordendo de leve o lóbulo da orelha. Ela pulou novamente, mas a resposta me surpreendeu.

     -Não, preciso de um tempo para me recuperar. Ainda tem champanhe?

     Dei uma risada espontânea e estendi o braço para a taça e a bebida que ainda estava fria no balde de gelo. Enchi a taça, e entreguei em sua mão ainda trêmula. Antes que bebesse, procurei seus lábios, tocando sua língua com a minha.

     Ela bebeu a taça inteira de uma só vez, continuava com sede. Ofereci água na mesma quantidade, ela aceitou de bom grado. Depois se recostou novamente nos travesseiros, e acariciei sua testa, tirando as mechas de cabelo que estavam grudadas com suor.

     Ela me olhou com um olhar indecifrável. Parecia querer poder ler a minha mente desta vez. Retribuí o olhar com a mesma intensidade. Estávamos sem palavras.

     -Foi uma idéia que tive na última hora. Achei que, se me acostumasse com o seu cheiro, poderia ser mais fácil. Eu ainda tenho medo, Bella. Não temos garantias.

     Ela olhou para o teto por alguns instantes, depois ficou muito vermelha; me olhou de canto de olho e eu sorri, não consegui evitar.

     -Edward... Não posso reclamar, apesar de ter ficado...- Ela ficou mais vermelha ainda.

     -Foi uma das sensações mais absurdamente maravilhosas que eu já senti. Se o resto é ainda melhor... Eu não sei se vou agüentar.- Ela parecia sincera. Mas eu sabia que era tudo uma questão de perspectiva. Era estranho estarmos conversando sobre isso; as palavras não eram suficientes para descrever as coisas, e era um pouco desajeitado. Nós nunca tínhamos conversado sobre esse assunto abertamente. Era normal que ela ficasse insegura. A falta de experiência ajudava. Tentei ser o mais sincero possível, baseado em tudo que sabia.

     -Até onde sei, vai ser diferente. Mas não posso dizer como, cada um tem um corpo, uma forma de sentir.

     Ela sorriu.

     -Eu te amo-.A voz era linda. Obrigada por ter decidido vir para cá comigo.

     -Não agradeça ainda. Ainda não acabou.-E minha voz se tornou novamente maliciosa.    

     -E por falar nisso, eu não aproveitei tanto quanto você. O que vai fazer para consertar isso?.

     O sorriso voltou a seus lábios.

     -Bem,- ela respondeu, os olhos brilhando. -Acho que aprendi uma ou duas coisas nas últimas horas. Vamos ver o que consigo fazer por você.



[Bella]



     Meu coração acelerou novamente. A sensação de poder causar nele sensações remotamente parecidas com as que ele me causava era viciante; eu não conseguia pensar em parar. Queria que aquela noite durasse para sempre. Mais uma vez não consegui acreditar que ele estava ali, que era meu, que me amava, e que estava gostando tanto de estar ali como eu. Só que desta vez a descrença era menor, e em parte substituída por uma necessidade de satisfazê-lo; eu conseguia ler em seu rosto e em sua voz como ele estava apreciando tudo aquilo. Era meu dever retribuir tudo que ele me dera.

     Mas não era simples; a timidez me atacava em ondas que iam e voltavam. Depois de um tempo, eu só conseguia sentir as ondas de prazer que subiam daquele ponto e se espalhavam para todo o resto do meu corpo. Minhas mãos estavam subitamente soltas, latejando, e me tornei puro instinto. Eu não conseguia acreditar que ele nunca tinha feito aquilo antes. Uma dúvida me atravessou, será que ele tinha mentido para mim? Mas depois relaxei; ele não teria porque, e eu sempre acreditei que ele poderia fazer qualquer coisa melhor do que qualquer humano fosse na primeira vez ou na última. Ele era apenas perfeito demais. Assustadoramente perfeito.

     Quando tudo terminou – e na verdade não tinha terminado, cada pausa era o prenúncio de algo cada vez mais enlouquecedor – a vergonha voltou com mais força e eu tive que me controlar para conseguir olhar para ele. Mas seu olhar desmanchou minha timidez, e consegui conversar de forma minimamente adequada. E agora, aquele desafio. Como eu conseguiria causar nele as mesmas coisas que ele me causara? Eu não tinha coragem nem de longe de fazer o mesmo que ele tinha feito comigo; só de pensar e meu cérebro tinha espasmos. Além disso, as sensações seriam as mesmas para ele? Ele reagira bastante quando estávamos na água; a verdade é que eu ainda não entendia muito bem como funcionava para mim, quanto mais para um vampiro. Inclusive fiquei durante um tempo tentando imaginar como acontecia, já que ele não estava, bem, tecnicamente, vivo, do jeito convencional. Mas a dúvida se desfez nas últimas horas, quando vi que o corpo dele respondia aos meus estímulos de forma muito conveniente. Algum dia talvez eu tivesse coragem de perguntar. Hoje não.

     Fiz então o que me pareceu mais certo: parei de pensar, e fiz apenas o que meu corpo tinha vontade. Voltei a beijá-lo devagar, explorando cada centímetro dos lábios gelados, sentindo que ele estremecia em contato com meu calor. Ao mesmo tempo deslizei a mão por seu corpo; fazendo um caminho parecido com o que ele fizera comigo no chuveiro; nos deitamos lado a lado e enquanto o beijava explorei as costas, o peito, os braços, quadris, ora com as palmas das mãos, ora com a ponta dos dedos. Minhas unhas estavam bem curtas, desejei que estivessem mais compridas, mas depois lembrei que provavelmente ele não sentiria mesmo. Era um dos inconvenientes de ter um namorado vampiro. Mas a sensibilidade dele para outras coisas, principalmente o contato da minha pele, parecia compensar aquela falta. Me lembrei da primeira vez que nos tocamos mais prolongadamente na clareira, do primeiro beijo que ele me deu, em como ele tinha sido esquivo e reservado; em como tinha se afastado rapidamente do contato, como se eu o queimasse. Agora era parecido, mas ele se permitia queimar, buscava o calor, a intensidade. Eu me sentia nas nuvens.

     Me afastei um pouco dele, me sentando próxima a seus pés. Ele permanecia de olhos fechados, a expressão entregue, como se estivesse em outro mundo, do mesmo jeito que eu havia estado; não percebi quando ele abriu os olhos. Em determinado momento olhei para seu rosto – como eu gostava da expressão que ele fazia! – e percebi que estava me encarando, os olhos escuros, a respiração curta e rápida, eu não cansava de me surpreender com suas reações, tão humanas, e ao mesmo tempo diferentes. Notei também em seu olhar expectativa; aquilo me intimidou um pouco, era tudo tão novo, acontecera tão rápido, ontem ele mal me beijava e hoje conhecia meu corpo praticamente todo!. Senti o sangue do corpo todo ir para o rosto, minha mão tremeu, mas respirei fundo e continuei. Me deitei ao lado dele, sem soltá-lo, e voltei a procurar seus lábios com os meus. Percebi que ele estava se controlando para não reagir plenamente, eu já conhecia bem a linha que se formava em seus lábios e a postura tensa. Senti um pouco de medo. Agora eu me sentia realmente brincando com fogo, as recomendações e precauções dele se tornavam mais reais.

     Percebi em um determinado momento que meus movimentos estavam sincronizados com sua respiração, e com a intensidade do beijo. Senti meu corpo voltar a responder ao dele e a suas reações, a reacender lentamente, e furiosamente. O calor de meu corpo contrastava com o frio dele; o calor do ar e de minha respiração pareciam transtorná-lo numa tortura lenta e crescente. Eu podia sentir, mais do que qualquer coisa, a fome que ele sentia, em sua postura, em seu rosto, em seus olhos que se abriam e fechavam como em um delírio de febre. E inesperadamente, num movimento rápido, ele se desvencilhou de minhas mãos, rolou para cima de mim, separando minhas pernas com as dele, e nossos corpos se encaixaram. Minha reação inicial foi de protesto, de susto, mas ele a sufocou com um aperto selvagem, enquanto deslizava devagar para dentro de mim em um movimento forte do quadril, provocando uma dor aguda onde antes só houvera prazer, misturada com uma sensação completamente nova de ânsia. O protesto de dor foi sufocado também por seus lábios, que morderam os meus, enquanto ele se movia novamente, causando uma segunda onda de dor, essa mais leve, enquanto a ânsia crescia. Ele percebeu minha agonia, e ficou imóvel, sobre mim, dentro de mim, esperando. A respiração dele estava acelerada de uma forma que eu jamais vira, e agora meu medo era absoluto. E se ele não conseguisse se controlar?

     Mas de alguma forma ele conseguiu, e sua respiração foi desacelerando aos poucos, enquanto ele permanecia imóvel. Depois de um tempo que não consegui precisar, ele voltou a se mover. E então eu já quase não sentia dor. Foi quando ele ergueu a cabeça para me olhar, e eu desejei que a noite estivesse apenas começando.



[Edward]



     Quando nós perdemos o controle, tudo fica vermelho. Tudo vira um infinito de instinto e sensações. Frio, calor, fome, sede, barulho, cheiros, raiva, defesa, ataque, fuga. Qualquer coisa que não esteja entre estas coisas vira um emaranhado de borrões indistintos, e nós ficamos temporariamente incapazes de pensar; a ação e a emoção predominam sobre todas as outras coisas. O raciocínio coerente se esvai, dando lugar à fera que espreita o tempo todo por baixo da superfície civilizada, querendo satisfazer suas necessidades, até conseguir satisfazê-las.

     Naquela circunstância não foi um sentimento conhecido e comum que me tirou o controle. Foi algo com o qual eu não estava acostumado a lidar, e que vinha tentando negar sistematicamente nos últimos meses, desde que os momentos a sós com Bella tinham se tornado uma constante: o desejo por ela. Desde que eu a conhecera e descobrira que ela correspondia aos meus sentimentos que eu lutava o tempo inteiro contra a vontade de tocá- la, de sentir meus lábios sobre sua pele. Mas com o passar do tempo, quando eu finalmente aceitara sua presença em minha vida e passara a procurar, aceitar, não temer seu toque, aquilo já não era suficiente para saciar a vontade de tê-la inteiramente. Era sempre com muito esforço que eu me afastava, sempre com uma dor física quase insuportável. Nesses momentos eu tinha medo da reação do meu corpo, que agia de formas inesperadas. Ela sofria muito com aquelas rejeições, mas eu não podia me deixar levar, simplesmente não confiava em mim o suficiente.

     Já tinha sido bastante difícil segurar todos os impulsos que haviam me assolado naquela noite, quando eu tomava a maior parte das iniciativas, tentando manter a situação sob controle minimamente, e nisso sua timidez me ajudava. Porém quando ela assumiu o controle eu pude apenas me deixar levar pelo seu toque, e torcer para que eu fosse mesmo merecedor de toda aquela confiança. Não imaginei que ela fosse tão longe; quando começou a me provocar, a me tocar de forma tão entregue, meu corpo reagiu sozinho como sempre, e o pensamento começou a se nublar.

     Confesso que tentei resistir um pouco, porém os segundos iam se passando, e a intensidade do toque ia me levando cada vez mais para longe de tudo que não era ela... E todas as proteções de minha mente caíram, todas as precauções, hesitações. Quando dei por mim estava dentro dela, sentindo seu corpo ao redor do meu, me aceitando, me enchendo de calor em todas as partes, me pressionando. E ouvi o eco de um gemido de dor. Foi apenas por isso que consegui parar, porque meu corpo queria continuar se movendo dentro dela, cada vez mais forte, cada vez mais rápido, até que eu explodisse em sensações, calor e prazer. Tudo era desconhecido, eu não sabia como aquilo funcionava em meu organismo, só o que eu sabia era que tinha uma vontade não saciada de esquecer resto do mundo e me afundar na mulher que era minha. Não importava quantas vezes eu ouvira falar sobre aquilo, ou lera nos pensamentos alheios. Nada tinha me preparado para aquela sensação de abandono pleno em meu corpo e em minha mente.

     Sem perceber eu havia enfim quebrado a última barreira, e quando compreendi o que havia acontecido a princípio não soube o que fazer. Fiquei estático, imóvel, tentando entender o que havia acontecido, e como, sem conseguir me lembrar. Senti que as preocupações e culpas ameaçavam voltar com toda a força, e lutei contra elas; ela queria, eu queria, e eu sabia que ela queria que eu vivesse aquele momento com a mente e o coração inteiros e não parcialmente, cheios de hesitações. Empurrei as racionalizações para longe com mais um movimento firme do meu corpo contra o dela, e pela primeira vez pude me deliciar de forma consciente com as sensações que aquele momento me proporcionava. Era tudo tão novo que não sabia descrever com palavras. Mas era como a maré subindo; onda, fluxo e refluxo, sempre inundado de calor; a cada ir e voltar subindo mais longe, chegando mais perto de algo ainda indefinido, mas sentindo que o algo aumentava a cada retorno, a cada onda, numa espiral crescente de agonia e de prazer. Senti o cheiro sempre avassalador de seu sangue, mas ele não causou em mim o efeito que eu temia. De alguma forma o desejo superava a fome, e eu só conseguia continuar o que estava fazendo, invadindo seu corpo repetidas vezes, como se estivesse marcando minha presença dentro dela, tornando-a realmente minha.

     Entrelacei minhas mãos nas dela, segurando-a firme contra a cama, e experimentei mudar um pouco o peso e a forma com que eu me movia; testando os movimentos com cuidado para não machucá-la. Ela se ajustou a mim prontamente, apertando minhas mãos com força. Eu ainda estava envergonhado pela minha falta de controle, e por ter perdido aquele momento inicial mergulhado em desejo, e prolonguei aquele primeiro reconhecimento dela ouvindo o ritmo de seu coração, de sua respiração, sentindo as mudanças no seu cheiro, que

se misturava com o meu.

     Depois de alguns momentos imerso em meus pensamentos e descobertas, procurei seus olhos. E encontrei coisas que nunca havia visto antes. Como se ela tivesse envelhecido, amadurecido apenas naquele contato, naquela invasão. Agora ela era minha mulher, e se sentia assim. O sentimento de pertencer a alguém plenamente a transformara de alguma forma que eu não compreendia, e talvez esse fosse um mistério reservado apenas às mulheres, do qual até então eu nunca fizera parte, e talvez nunca compreendesse plenamente. Ela gemeu baixo enquanto eu explorava devagar as melhores formas de me encaixar nela, alternando velocidade, força, ritmo, e eu senti uma explosão em meu peito, uma alegria misturada com paixão que beirava a insanidade. Ela era minha, completamente. Era minha companheira, viajava comigo naquela loucura, e estávamos ambos inteiros, até agora. Muito melhor do que eu previra. Depois de saciar a curiosidade inicial – e eu ficava olhando para ela, prestando atenção em suas reações, e ela ainda conseguia ficar ruborizada – comecei a misturar estímulos, sem me separar dela, com os lábios e as mãos passeando por todo o seu corpo, por todos os pontos sensíveis, e rapidamente os gemidos baixos se tornaram altos, e em alguns momentos gritos de surpresa, quando eu fazia algo de inesperado. Eu me guiava por seus gemidos e suas respostas, as batidas do coração, o ritmo da respiração, e ia navegando num mar estranho e desconhecido, sem uma direção única a seguir, flutuando ao sabor das ondas, me deixando levar pela maré. Percebi que em alguns momentos ela parecia prestes a dizer alguma coisa, e depois mudava de idéia. Eu ficava mordido de curiosidade, triplamente mortificado por não conseguir acessar seus pensamentos, porém não tinha coragem de quebrar o encanto do momento com perguntas ou palavras. Palavras eram desnecessárias. Meu corpo dizia tudo, e o dela respondia, numa dança lenta, hipnótica, antiga como o mundo. Aqui ela não era nem um pouco desajeitada; era uma amante habilidosa e natural. Eu percebia isso pela forma com que ela se abandonava ao instinto, sem cálculos, sem complicações, uma vez superada a maior parte da vergonha.

     Quando percebia que ela estava excitada demais eu diminuía os movimentos até parar, deixando que ela se controlasse. Os protestos que ela fazia quando eu parava só aumentavam meu desejo de prolongar tudo, sabendo que quando ela atingisse o clímax novamente ele viria com muito mais força. Tentei ajustar o ritmo dela ao meu, conduzindo com paciência seu corpo em chamas, mas era difícil; ela se abandonava com mais ímpeto, e às vezes eu tinha que chamá-la em voz baixa, acalmá-la, trazê-la de volta ao meu ritmo.

     -Comigo, Bella, não contra mim,- sussurrei em seu ouvido quando ela se moveu freneticamente contra meu corpo para alcançar a satisfação que eu estava lhe negando. Ela ofegou e abriu os olhos, mostrando mais uma vez aquela coloração escura que denunciava a extensão de seu desejo. Ela me abraçou com força e retribuí o abraço, ao mesmo tempo em que separava meu corpo do dela, e a virava de costas para mim, de lado, para mais uma vez preenchê-la, e retomar a exploração.

     Não sei como consegui prolongar aquilo por tantas vezes; sabia que era uma tortura para ela, bem como para mim, mas o controle vinha fácil nos momentos em que ela beirava o êxtase, e se esvaía nas horas em que eu me aproximava. Nessas horas eu me esquecia quem era, e existia apenas o meu corpo entrando e saindo do dela, seu cheiro, seu hálito, seu sabor, sua pele contra a minha, o calor que dela emanava continuamente, apagando o frio do meu corpo. Algumas vezes, quando eu voltava desses estados de ausência, tinha que me certificar de que não a havia mordido ou machucado sem perceber, e ela estava sempre inteira, linda, com a expressão transtornada de prazer, os olhos fechados, como se estivesse também em outro mundo secreto, os lábios inchados pelas mordidas que eu lhe dava. Fui adquirindo confiança, e me deixando levar por mais vezes, permitindo que o caçador que eu era se revelasse. Minha natureza não precisava mais ser negada, eu estava fazendo exatamente o que meu instinto exigia. A expressão “brincar com a comida” passou rapidamente pela minha mente, me provocando um sorriso involuntário. Não deixava de ser uma forma de ver a situação, por menos romântico que fosse. E de certa forma era uma caçada, mas o objetivo final não era alimento e não precisava terminar em morte.

     Perdi a noção do tempo e de tudo que fiz enquanto ia aprendendo com ela o que era a satisfação que eu tanto buscara. Só sei que nos deixamos levar pela vontade dos corpos, provando, descobrindo novas formas de encaixe, novas sensações. Por mais duas vezes eu me aproximei do descontrole, quando cheguei muito próximo do êxtase, e na terceira vez tudo se apagou, quando a onda enfim chegou ao limite mais rápido do que eu previa e quebrou numa nuvem de espasmos do meu corpo sobre o dela, e eu me senti esvaziar, rápido e devagar, pulsando, até que eu não era mais Edward Cullen, eu era apenas um ponto suspenso num mar feito do cheiro e do calor dela. Eu estava vivo novamente. Não havia mais frio, nem poderes sobrenaturais, nem fome de sangue. Eu não era mais o predador, eu apenas existia, simplesmente, e era feito inteiramente de eletricidade. Eu não sabia como ela estava, se tinha chegado ao mesmo ponto junto comigo, se estava inteira ou em pedaços devido à força de meu abraço, de minhas mãos apertando suas costas, seus braços, mas também não conseguia pensar. Havia apenas o bem-estar. Pela primeira vez desde que me tornara um vampiro eu apaguei tudo. Minha mente não existia. A inconsciência se abateu sobre mim, e se eu tivesse um coração batendo acredito que ele pararia por alguns instantes, enquanto tudo estava suspenso. Depois houve apenas paz.

     Voltei um pouco assustado, como quem acorda de um sono leve, as percepções voltando todas ao mesmo tempo, pouca luz, as velas derretidas nos candelabros, algumas já apagadas, o cheiro intoxicante de suor e sexo que vinha de Bella, os barulhos da noite, o calor do ar da ilha, o calor do corpo dela, os lençóis um pouco úmidos embaixo do meu corpo, as pontas dos meus dedos formigando, o pulsar estável de seu coração, a respiração rítmica e tranquila. Ela estava me olhando, serena, os olhos novamente cor de chocolate, com a expressão um pouco cansada. Ela ergueu a mão em um movimento suave e passou pela minha testa, e sorriu levemente. Quando ela falou, sua voz traía a exaustão, mas o sorriso em seu rosto apagava todo o resto.

     -E você querendo me negar isso tudo...?- Havia brincadeira e provocação na voz, e um pouco de censura. Abracei-a de leve, colocando seu rosto em meu peito, aninhando o corpo dela junto ao meu.

     -Bella... Você sabe que eu não podia ter certeza. Não vamos começar com isso de novo.

     -Desculpe, Edward.- Notei o tom constrangido de sua voz e a apertei com mais força.

     -Era uma espécie de brincadeira.

     -Eu sei, meu amor. Mas você realmente não devia brincar tanto com essas coisas assim.   

     Não consegui evitar o escorregar de minha mão por suas costas. Na verdade eu não queria evitar, mas queria dar tempo para ela se recuperar de tantas coisas. Ela se contraiu toda sob meu toque.

     -Alguma coisa errada?- Virei seu rosto para mim, procurando um sinal de algo errado. Já estava começando a ficar tenso novamente. Ela ficou vermelha. Muito vermelha. De novo. Não entendi muito bem o porquê. Ela estava envergonhada do que havíamos feito, ainda? De quantas maneiras ela ainda conseguiria me surpreender?

     -Não, nada errado... É que...- A vermelhidão conseguiu se intensificar ainda mais. -Você parou e eu ainda não tinha... Você me fez perder o ritmo e eu...- Ela não conseguiu terminar a frase, mordendo o lábio, lindamente envergonhada, os olhos baixos.

     -Por isso que você reagiu assim quando eu toquei suas costas?- Eu ia descobrindo como o corpo dela funcionava, maravilhado.

     Ela acenou com a cabeça. Eu fiz com que ela virasse na cama, deixando as costas ao meu alcance. Percebi a tensão dos músculos quando a toquei, mesmo de leve. Um sorriso veio involuntariamente a meus lábios. Então ela ainda estava com milhares de estímulos agindo sobre seu corpo, condensados. Eu não conseguiria dizer, pela calma que emanava dela. Acariciei suas costas com a ponta dos dedos, começando no centro e subindo até a nuca, por sob o cabelo desalinhado.

     Agora que eu estava mais controlado, era maravilhoso poder observar as reações instantâneas que meu toque causava nela inteira, cada músculo que se contraía, cada arrepio na pele. Desci com os dedos, tocando-a de leve, despertando novamente seu corpo, e sentindo que o meu respondia da mesma forma. Fiquei surpreso com a facilidade com que o desejo renascia e tive certeza que eu nunca me cansaria dela. Quando ela estava mais uma vez ardendo, me deitei de costas e puxei seu corpo sobre o meu, me encaixando dentro dela num movimento súbito e inesperado. Minha boca estava sobre a dela, e abafou um gemido alto, ao mesmo tempo em que ela buscava ar. Gostei do acesso que tinha ao seu corpo, e aproveitei o melhor que pude, provocando, tocando, buscando dar a ela a mesma satisfação que eu atingira antes.

     Dessa vez não prolonguei os movimentos, atingindo um crescendo rápido e sustentado, sempre guiado por suas respostas às minhas iniciativas. Em um determinado momento, no entanto, não consegui continuar, e parei novamente. Estava curioso. Queria descobrir o que ela queria, seguir o ritmo dela e não o meu. Fiquei imóvel sob seu corpo, e ela gemeu novamente em frustração. Senti seus punhos se baterem contra meu peito sólido, depois ela me abraçou forte, e começou a se mover contra mim, primeiro de forma hesitante, depois com mais desenvoltura, retomando o ritmo que eu havia desfeito, porém de forma mais errática, irregular, como se obedecesse a algum comando invisível que regulava sua velocidade, seu tempo. Em meus pensamentos seu ritmo virava uma melodia deliciosa e irreproduzível. Quando senti que ela estava à beira do êxtase, segurei seu corpo mais uma vez, parando seus movimentos. Ela deixou escapar entre os dentes um gemido baixo de protesto, mas antes que ela pudesse reagir eu girei o corpo, imprensando o dela sob o meu mais uma vez, e acelerei o ritmo, sentindo que eu também estava mais perto de explodir novamente do que havia percebido.

     Coordenei meus movimentos com os dela, e em poucos segundos estávamos ambos ofegando, eu escutava sua pulsação subindo cada vez mais rápido, e seu corpo se contraindo. Já estava familiarizado com os prenúncios que seu corpo mostrava, e dessa vez não parei mais. Ela gemeu cada vez mais rápido contra meu pescoço, e eu senti, no momento que ela alcançou o ponto mais alto, seu coração perder uma batida. Depois disso ela era pura pulsação ao meu redor, me apertando, e eu quase conseguia sentir a eletricidade correr por seu corpo e chegar ao meu. Minha própria consciência estava oscilando, e antes que tudo se apagasse mais uma vez – e o prazer dela sempre alimentava o meu duplamente – eu chamei seu nome. Ela abriu os olhos, e pude ver o momento de abandono total que ela atingira, um pouco antes de eu afundar mais uma vez no escuro de seu corpo, e de sua imensidão.



[Bella]



     Acordei algumas vezes naquela noite, ou seria consegui dormir algumas vezes naquela noite? Os sonhos vinham rapidamente, com o sono ainda leve, sempre com ele, sempre com seu corpo, sempre com as sensações que eu estava descobrindo devagar. Se eu pudesse ficar vermelha em sonhos, com certeza ficaria, e talvez tivesse ficado na vida real, e talvez ele estivesse vendo, porque nos meus sonhos eu não tinha reservas, e me abandonava em seus braços sem uma gota de timidez. Mas acordei algumas vezes naquela noite, sempre para sentir que nós estávamos novamente em chamas, seu corpo sempre pronto contra o meu, que por sua vez sempre o recebia sem reservas, e igualmente disposto. Eu não me cansava de estar com ele daquela forma, e ele não parecia cansado tampouco. Algumas vezes eu não sabia dizer se era sonho ou realidade, ou ambas as coisas. Sei apenas que parecíamos nos esforçar para matar toda a sede que tínhamos um do outro há tantos meses, como se o amanhecer pudesse trazer algo diferente, uma outra realidade que pudesse negar o que estava acontecendo. A noite conspirava a nosso favor, fazia a magia daquele momento se estender, perdurar. A noite abrigava aquele amor errado e certo, aquele atentado à racionalidade. A noite nos pertencia.

     Em alguns momentos eu percebia tudo nitidamente. Os olhos haviam se acostumado à escuridão, e a lua descera até perto do mar, e entrava pela janela, deixando tudo branco. As velas já haviam se apagado há muito tempo, mas eu não sentia frio; meu corpo estava um pouco entorpecido pelo prazer, incapaz de sentir qualquer outra coisa que não fosse ele, seus lábios, mãos, dedos, pele. Eu mergulhava o olhar no dele, e subíamos mais uma vez aquele caminho em espiral que nos levava até o céu. E quando voltávamos para a terra começávamos tudo de novo.

     Em outros momentos as coisas ficavam embaçadas, geralmente quando ele me arrancava do sono com delicadeza, sempre doce, sempre gentil - a princípio. Com o passar dos minutos ele ia se tornando mais selvagem, mais intenso, e eu comecei a ficar à vontade com o predador que ele era, sabendo que eu podia ser sua presa eternamente, voluntariamente, e talvez aquilo o saciasse. E percebi, em um determinado momento, que eu não queria mais me tornar um vampiro; eu queria permanecer exatamente daquele jeito, sendo o calor que ele não podia mais encontrar de outras formas a não ser no sangue, vendo sua expressão transtornada de prazer e alegria.

     Não havia vida para mim longe de Edward. Eu aprendera isso na carne, em um tempo que agora parecia distante demais para ter algum significado. O agora era muito diferente. E eu queria prolongar aquilo enquanto eu pudesse. Meu corpo estava cansado, dolorido, eu teria algumas marcas pela manhã, sentira momentos curtos de dor, mas tudo aquilo virava nada quando comparado com o tudo que tínhamos alcançado naquela noite.

     Foi com essa certeza e determinação que adormeci, já ouvindo alguns pássaros ao longe, anunciando a chegada iminente do sol. Ainda estava tudo escuro, mas eu podia sentir a mudança no ar, meu corpo estava muito consciente de tudo. Ele despertara, enfim. Antes de adormecer, pude ouvir que Edward sussurrava minha música baixinho, acariciando meus cabelos, e me mandando dormir.



[Edward]



     Quando o sol nasceu eu estava do lado de fora da casa, olhando o mar. Bella estava profundamente adormecida, o coração batendo devagar, no ritmo da respiração suave. Tudo ao meu redor saía lentamente de seu estado letárgico. O barulho das pequenas ondas exercia um efeito calmante sobre minha mente, e eu me esforçava para não ceder à agitação que tomava conta de mim. Havia coisas que eu precisava encarar, mas não precisava ser agora. Agora tudo que eu queria era aproveitar o resto da noite que ia embora, antes de voltar a ser o Edward que eu aprendera a ser ao longo dos anos.

     Entrei no mar lentamente, deixando a água envolver meu corpo ao mesmo tempo em que lavava de mim o cheiro de Isabella Cullen. Aquilo me causou alívio e dor ao mesmo tempo. Era um alívio poder respirar de novo sem reservas, sem restrições, sem tanta fome. Mas ao mesmo tempo em que a água carregava seu cheiro com ela, eu já pensava em voltar para a cama e me deitar ao lado dela, e vigiar seu sono, e tocá-la. Era um vício impossível de resistir por muito tempo. Olhei para o passado, em como havia sido no início de nosso relacionamento, em como eu não conseguia passar muito tempo longe dela, longe do pensamento nela. Agora era muito pior.

     Mergulhei na água quente e nadei por um longo tempo, ainda me recusando a encarar as coisas que eu precisava encarar. Naquele momento eu não queria pensar em tudo que tinha acontecido. Aquilo ia me destruir lentamente se eu não tomasse cuidado: culpa, remorso, eu não sabia como lidar com esses sentimentos que eram já antigos, mas agora renovados. Porque eraela que estava em jogo ali. Quando voltei me sentei um pouco na areia, deixando os raios ainda fracos do sol banharem minha pele, eu me via cintilar fracamente, pálido. Não conseguia ouvir um único pensamento humano por perto. Eu estava completamente sozinho com Bella. E eu...

     Balancei a cabeça, deixando as lembranças voltarem mais um vez à superfície, escolhendo com calma a ordem e a intensidade do retorno. Eu precisava compreender o que havia acontecido antes de descer ao inferno novamente. Antes que a necessidade irracional de me afastar dela mais uma vez me dominasse e eu fugisse sem olhar para trás. Eu não a merecia. Não merecia aquela entrega, não havia merecido aquela noite. Ela não podia confiar em mim. Nem eu.

     Não me lembro exatamente como aconteceu, só me lembro de estar alternando estados de consciência e inconsciência – e essa era a primeira vez que aquilo me acontecia dessa forma. Eu não dormia, não sonhava, mas a experiência física com ela havia aberto para mim novos estados de consciência. Tanto uma consciência mais exacerbada como algo próximo da inconsciência. E foi num desses estados que me aproximei dela mais uma vez enquanto ela dormia, meu corpo queimando de fome e aflição, incapaz de se saciar, com a vontade cada vez maior de tê-la de novo. Eu abracei seu corpo com o meu, ela estava deitada de costas para mim, profundamente adormecida. O cheiro que vinha dela me queimava lentamente a garganta, o estômago, os olhos, tudo ardia. Entendi naquele momento que enquanto Bella estivesse viva eu sempre teria que conviver com a fome. E que quanto mais tempo eu ficasse com ela daquela forma tão próxima, mais difícil seria de lidar com ela. Eu estivera errado em achar que poderia me acostumar. A fome e o amor andavam de mãos dadas. Eram indissociáveis. Ambos eram parte de mim; eu era instinto, razão, emoção e não podia negar minha essência. Olhei impotente enquanto me aproximava de seu pescoço macio em câmera lenta, meio hesitante, meio incapaz de parar. Eu a queria com o corpo, com a alma, mas eu queria mais, como uma mariposa eternamente arrastada para a luz, contra sua vontade. Minha boca estava seca, mas o veneno começou a escorrer lentamente das presas, enquanto eu me colava a ela, hipnotizado. Meus olhos perceberam uma artéria pulsando no pescoço, e aproximei meu rosto do local, deitando minha cabeça próxima a seu ombro. Ela se mexeu durante o sono, gemendo. O som não me incomodou nem foi suficiente para me tirar do transe. Eu queria provar seu sangue novamente.

     Foi fácil romper a pele do ombro com delicadeza com uma mordida leve, com cuidado, para não contaminar seu organismo. O sangue brotou em pequenas gotas, e eu inspirei profundamente, sentindo o perfume contra o qual eu lutara infinitas vezes me invadindo com a força de um sol. O que eu estava fazendo? Milhões de vozes gritaram dentro de minha mente, mas eu as ignorei, e toquei as gotas com a língua, a princípio gentilmente. Ela se mexeu mais uma vez, e gemeu meu nome. Que sensação ela teria? Mas ela não podia acordar. O que eu estava fazendo? Porque eu tinha concordado com aquilo? Bella despertara tudo aquilo que eu refreava em mim. Tudo. Com ela eu me tornava completo.

     O que aconteceu depois está envolto em uma névoa avermelhada. Não tentei forçar as memórias a voltarem; sei apenas que depois de um tempo bebendo dela vagarosamente eu me vi mais uma vez dentro dela, com as duas coisas acontecendo simultaneamente. O fluxo de sangue cessou, e a ferida mal aparecia em sua pele. Eu não senti a necessidade atroz de continuar como da outra vez, em que havia tomado uma quantidade ainda maior de seu sangue contaminado. Desta vez seu sabor era puro, rico e matizado por todas as mudanças que eu havia causado nela. Nem de longe parecido com o que eu imaginava, porque era infinitamente melhor, mais saboroso, mais intenso... E ela havia me preenchido. Ao mesmo tempo em que eu queimava de raiva por mim mesmo, de angústia, de apreensão... Aquele tinha sido o momento mais belo de toda a minha existência.

     O problema não foi exatamente o fato de eu não ter conseguido me controlar o suficiente para evitar o que tinha feito. O problema era que não havia acontecido de verdade. Eu havia sonhado. Só percebi isso quando as coisas voltaram ao foco e eu percebi que sequer havia tocado em Bella enquanto todas essas coisas aconteciam apenas em minha mente. Fiquei horrorizado quando descobri. Não podia distinguir de maneira alguma o que era real do que era imaginário. E se isso tinha acontecido por causa da libertação que havia sido aquela noite, ela jamais poderia se repetir. Eu não podia me permitir. Talvez o desejo de beber seu sangue falasse mais forte e eu acordasse com ela morta em meus braços. E minha vida perderiatodo o sentido.

     Eu não era confiável.

     Deixei os sentimentos me queimarem enquanto o sol subia. Enquanto eu lutava pacientemente contra a raiva e a culpa. No final, venci a batalha, por muito pouco. Resolvi que merecia aquilo. Que tudo tinha dado certo. E que eu não permitiria que ela soubesse. E que eu não me permitiria nunca mais tocá-la daquela forma enquanto não fosse seguro. Enquanto ela fosse tão frágil. Eu nunca mais a colocaria em risco de novo. Sim, eu podia fazer isso.

     O sol estava mais alto. O coração e a respiração de Bella começaram a sair do padrão lento, e a acelerar levemente, o que significava que ela ia acordar em breve. Voltei para a casa, tomei um banho, e me deitei novamente ao lado dela. Tentei evitar olhá-la por enquanto. Isso só tornaria mais difícil sustentar minha decisão. Ela não precisava saber o porque, mas com certeza iria exigir uma resposta que fosse razoavelmente aceitável. Eu percebera mais cedo que ela estava com alguns hematomas, nada muito grave, levando em consideração a noite que tivemos. Mas isso precisaria servir. E eu precisaria de toda a minha determinação para não tomá-la de novo. Por quanto tempo eu conseguiria resistir a ela? Não sabia.

     A despeito de toda a emoção que sentia, o frio na barriga que me assolou ao pensar que eu em breve precisaria enfrentar sua fúria – justificada – e dos resquícios de culpa, eu não pude impedir um sorriso lento de se instalar em meu rosto. Aquele seria o primeiro dia do resto de minha vida com ela. E ela era Bella, afinal de contas. Eu conseguira tudo o que queria. E eu sabia que cada dia seria mais um dia de descobertas. Eternamente.